
Durante show realizado em Manaus, dia 20/10, a cantora Ludmilla usou um boi Garantido não autorizado pela diretoria do bumbá. Foto: Reprodução
A mais nova polêmica, no mundo cheio de rivalidade dos bumbás de Parintins, envolve a cantora Ludmilla e o Boi Garantido. Durante show realizado em Manaus, dia 20/10, a produção tentou acordo com a diretoria para usar o bumbá. Não conseguiu. O “arranjo” da produção foi desastroso: o bumbá apresentado não tinha os tradicionais movimentos e parecia prestes a desmontar. O Garantido reagiu, com nota oficial, mas o presidente Fred Góes nega processo.
“Fizemos uma nota para mostrar que não pode continuar desse jeito. O Garantido, como o Caprichoso, é uma marca. Nosso bumbá tem uma forma registrada como marca patenteada. Não é a primeira vez que isso acontece e quisemos deixar claro a intolerância a isso. Mas não tem nada de processo contra a Ludmilla. Participei muito do show business para saber que essas coisas são da produção, não do artista”, disse Fred Góes ao portal.
O presidente do Garantido integrou uma das formações do grupo Los Pasteles Verdes. Durante os “anos de chumbo” das ditaduras na América Latina, eles percorriam os países levando músicas de protesto. Tornaram-se uma das maiores referências internacionais do período.
A produção de Ludmilla, segundo Fred Góes, entrou em contato com ele, deu explicações e fez um pedido de desculpas. “Está tudo certo e fica o recado. Houve um grande evento, no Rio de Janeiro, em que o Garantido também foi apresentado sem autorização. Temos que cuidar da nossa marca e estamos fazendo isso”, disse o presidente.
A repercussão aumenta a cada momento. Até a revista Rolling Stones, topo das publicações especializadas do showbusiness, escreveu a respeito. “Ludmilla vira alvo de processo após utilizar réplica do Boi Garantido em show”, diz a manchete.
A matéria, da jornalista Aline Carlin Cordaro, afirma que a assessoria de imprensa da artista não havia comentado o caso.
“Temos o maior respeito pela Ludmilla. Mas não vamos tolerar que isso ocorra outra vez. Não é uma divinização do bumbá e sim o respeito à cultura e aos artistas”, acrescentou Fred Góes.