03/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Está faltando tucumã no X-Caboquinho do parintinense e turistas

Publicado em 11 de junho, 2024

Fotos: Divulgação

Por Peta Cid

Especial para o Portal do Marcos Santos

“Mas o tucumã, lá no campo é fartura e ninguém faz plantio”. A frase da antológica “Toada do Cuirão”, do Boi Caprichoso, autoria de Chico da Silva, hoje já não reflete a realidade e o fruto mais cobiçado do café da manhã dos parintinenses e turistas que visitam a Ilha está em falta.

Com o Festival Folclórico às portas, o tucumã é o principal ingrediente do X-Caboquinho, vendido em larga escalada na temporada bovina. Além de ser saboroso no pão, também é muito apreciado com tapioquinha e do jeito bem parintinense, com farinha e café. Além disso, o fruto serve de base na alimentação de caboclos e ribeirinhos, os principais produtores do alimento.

Diferente dos versos da antiga toada, hoje o fruto é cultivado por produtores rurais que tem um mercado assegurado nas feiras de Parintins e do Amazonas, desde que o tucumã se popularizou. Nas feiras, os revendedores relatam a entressafra e perdas em razão da estiagem e das queimadas ocorridas no ano de 2023.

A escassez reflete na mesa do café.

Cassandra Correa Batista, do Boxe Nevyton, do Mercado Central, relata que começou a faltar tucumã no final do mês de maio. “Tucumã agora é ouro. Quando aparece custa R$ 600 a saca e R$ 25 a dúzia”, conta. No momento ela está sem o produto para compor o item do café da manhã.

Mas há quem conseguiu comprar as últimas sacas e foi Deise Mota, do boxe Seo Lajeiro. Ela comemora o feito e diz que não conta quem é o fornecedor para não entregar o ouro. “Há três semanas custava R$ 25 a dúzia. Nesta semana já estava R$ 38. A saca chega a R$ 1.200”, confirmou.

Foto: Divulgação

Deise assegura que não vai faltar tucumã no seu boxe durante o Festival. Ela já encomendou seis sacas para abastecer o seu boxe e o do seu pai, o senhor Mota, que é permissionário no mercado há trinta anos.

“Já fiz os meus contatos, o tucumã está na árvore, vigiado, só esperando a hora da colheita. Temos tucumã garantido para caprichar no X-Caboquinho”, disse, aos risos.

Esta semana está tramitando na Assembleia do Estado um Projeto de Lei para tornar o tucumã Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas.

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