
Foto: Divulgação/MCTI
O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) foi uma das instituições de pesquisa brasileiras a participar, na última quarta-feira, 15/5, em Brasília, do Seminário Marco Zero, para a apresentação dos projetos contemplados na Chamada para enfrentamento da Gripe Aviária (H5N1) promovida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI) e Ministério da Saúde (MS).
O pesquisador da Fiocruz Amazônia, Luís André Morais Mariúba, que coordena o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da unidade da Fiocruz em Manaus, apresentou o projeto para o desenvolvimento do kit teste diagnóstico imunocromatográfico para o enfrentamento da gripe aviária H5N1 com anticorpos IgY.
Mariúba explica que o seminário, além de permitir a discussão de aspectos relacionados à execução dos projetos, foi também uma oportunidade de formação de parcerias para avanços da pesquisa nesta área.
O evento foi subdividido em seis linhas temáticas para as apresentações dos estudos. O pesquisador da Fiocruz Amazônia se apresentou na Linha Temática 5 referente às ações para diminuição da dependência externa de insumos para diagnóstico, tratamento e prevenção da H5N1.
“Apresentei nosso projeto que foi aprovado para o desenvolvimento de um teste diagnóstico tanto utilizando os anticorpos IgY, produzidos em ovos de galinha, quanto resultados usando outra metodologia por meio da recombinação e expressão de antígenos recombinantes em hospedeiro bacteriano, no caso a E.coli (Escherichia coli)”, explica Mariúba.
O pesquisador destaca ainda que a apresentação foi importante no sentido de possibilitar o estabelecimento de novas parcerias que permitirão a validação dos anticorpos. “Conseguimos alcançar esse objetivo aqui nessa reunião no sentido de conseguir parcerias para obtenção de amostras para serem testados futuramente quando o teste estiver pronto”, frisou.
O seminário aconteceu na Sala dos Conselhos do MCTI, na Esplanada dos Ministérios em Brasília. A Chamada Pública do CNPq para Enfrentamento da Gripe Aviária visa atender da melhor forma possível às necessidades estratégicas do Sistema Único de Saúde (SUS) para o combate ao H5N1.
No final da década de 1990, o vírus H5N1 apareceu na China, causando alta mortalidade em aves selvagens e casos humanos ocasionais. Posteriormente, ele chegou à Europa por meio de aves migratórias e começou a circular maciçamente e a se diversificar.
Desde 2020, uma variante altamente virulenta do H5N1 (denominada 2.3.4.4b) foi detectada e infectou muitas aves: patos, gansos, gaivotas, galinhas, pelicanos, cisnes, abutres, águias, corujas e corvos. Espécies anteriormente livres da doença sofreram mortalidades sem precedentes.
Além disso, não apenas o número, mas a extensão dos surtos na Ásia, na Europa, na África e nas Américas aumentaram significativamente. Centenas de milhões de aves foram abatidas nos EUA e na Europa.
O vírus H5N1 pode ser classificado como uma verdadeira pandemia em aves, o que é chamado de panzoótico. Já existem relatos da ocorrência da doença em humanos e, recentemente, houve um aumento de registros do número de mamíferos infectados.