25/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

São Paulo em 470 anos: mais quente e com mais temporais

Publicado em 25 de janeiro, 2024

São Paulo em 470 anos: mais quente e com mais temporais

No mês de seu aniversário, a cidade de São Paulo registrou um recorde histórico! No dia 17 de janeiro de 2024, a temperatura mínima foi de 25,9°C, a maior temperatura mínima já registrada pelo Instituto Nacional de Meteorologia na capital paulista, pelo menos desde 1961. O recorde foi não apenas para janeiro, mas para todos os meses.

Depois de dias tórridos, São Paulo passa seu aniversário de 470 anos fresquinha, com temperatura amena.

Neste 25 de janeiro de 2024, São Paulo tem tempo úmido e friozinho. A Climatempo prevê temperatura entre 17°C e 23°C. Ventos marítimos ainda estão persistentes e trazem muita umidade do ar, que favorece a formação de muita nebulosidade ao longo do dia e também chuva.

A chuva pode ocorrer a qualquer hora. Não há expectativa de temporais, mas alguns locais da cidade podem ter chuva moderada a forte, em alguns momentos do dia.

Clima de São Paulo

Apesar de estar cada vez mais quente, ainda é comum lembrarem de São Paulo como “terra da garoa”.  De fato, São Paulo era garoenta, mas esse Clima era o da primeira metade do século 20. Já faz bastante tempo que São Paulo virou a “terra dos temporais”.

São Paulo pode oferecer todos os climas em um só dia, e quando isto acontece, aumenta a sua fama de ter “tempo maluco”.  Mas não são essas variações repentinas da temperatura ou do vento que mostram como o clima na cidade de São Paulo mudou em muitas décadas.

A transformação climática pode ser percebida observando as médias climatológicas calculadas para diferentes períodos de 30 anos: São Paulo ficou mais quente, mais seca, com madrugadas menos frias. A chuva aumentou em alguns meses e a garoa sumiu.

Variação climatológica de temperatura mínima em São Paulo,1931-2020 (Fonte:Inmet)

 

Variação climatológica de temperatura máxima em São Paulo 1931-2020 (Fonte: Inmet)

Variação climatológica de precipitação em São Paulo 1931-2020 (Fonte:Inmet)

Variação climatológica de umidade relativa do ar em São Paulo 1961-2020 (Fonte:Inmet)

Clima no futuro

Que o clima em São Paulo mudou, ninguém tem mais dúvida. Quais as evidências dessas mudanças climáticas? Qual a tendência do clima em São Paulo no futuro?

As alterações no clima paulistano foram ocorrendo com a urbanização e a perda da área de vegetação feitas pela ação do homem. São Paulo se transformou numa ilha de calor. Mas o que esperar do clima de São Paulo nas próximas décadas com o aquecimento global?

Se você acha que São Paulo está mais quente do que em décadas passadas, saiba que isso é um fato comprovado por estudos científicos.

O professor e pesquisador Tércio Ambrizzi, do Departamento de Meteorologia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo faz comentários muito interessantes e preocupantes.

“Um estudo feito pela pesquisadora Maria Assunção da Silva Dias e colaboradores mostrou que, ao longo das últimas décadas, a cidade de São Paulo tem tido mais eventos de precipitações extremas. Este aumento coincide com o grande crescimento da cidade a partir dos anos 1980. Estas chuvas extremas começaram a aparecer também no inverno, o que não ocorria antes”.

No gráfico, os trechos em verde indicam a chuva intensa nos meses de inverno junho, julho e agosto.

Aumento dos temporais de inverno em São Paulo

São Paulo cada vez mais quente

A mudança do padrão de precipitação em São Paulo, com mais temporais inclusive no inverno, é uma das evidências das mudanças climáticas que a capital paulista já sofreu. O aumento da temperatura é um dos principais vilões da história.

O professor Ambrizzi revela que “em 100 anos, a temperatura na cidade de São Paulo teve um aumento médio de 3°C! Este aumento está principalmente vinculado com a urbanização (ilha de calor), mas indiretamente também ao aumento da temperatura global”

O futuro do clima em São Paulo

Para entender as mudanças do clima da cidade de São Paulo e explicar o futuro do clima paulistano, o podcast O Clima entre Nós conversou com o professor Edmilson Freitas, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.  Suas pesquisas estão relacionadas aos efeitos causados pelas áreas urbanas, incluindo impactos nos padrões atmosféricos de mesoescala, e diversos aspectos ligados à poluição atmosférica.

A vegetação é um dos principais reguladores da temperatura do ar.

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