06/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Fake news: imunidade natural adquirida após infecção de Covid x vacinas?

Publicado em 24 de janeiro, 2024

Fake news: imunidade natural adquirida após infecção de Covid x vacinas?

O termo “vacina” foi o mais pesquisado no Brasil em 2021. A palavra atingiu 250 milhões de buscas ao longo do ano, que marcou o início da vacinação contra a covid-19 no país. Mas há quem olhe o imunizante com desconfiança e afirme que a imunidade natural é muito mais eficaz. Será? Vamos aos fatos.

A primeira afirmação da ciência e comprovada por diversas pesquisas¹ é: a vacina continua sendo a estratégia mais segura para se proteger contra diversas doenças, entre elas a covid-19.

Isso já exclui narrativas, divulgadas diariamente nas redes sociais, que defendem que a imunidade adquirida após contrair a covid-19 é mais eficaz do que a própria vacina. Vamos entender melhor como funciona a imunidade natural e por que é importante que todos se vacinem.

O que é imunidade natural?

É o processo pelo qual uma pessoa se torna resistente a uma doença após ter contato com ela. Funciona assim: quando uma pessoa é infectada pela primeira vez por uma substância estranha ao organismo, o sistema imunológico produz anticorpos (proteínas que atuam como defensoras no organismo) para combater aquele invasor.

Se aquela substância invadir o corpo novamente, o sistema imunológico vai produzir anticorpos em velocidade suficiente para evitar que a pessoa fique doente uma segunda vez. É a imunidade em ação.

É comum que pessoas que tiveram sarampo, catapora ou caxumba, por exemplo, e foram curadas, ganhem uma imunidade mais longa contra estas enfermidades e não adoeçam novamente.

A vacina é a melhor estratégia

As evidências mostram que pessoas que tiveram covid-19 costumam desenvolver uma resposta imune após se recuperarem. Porém, a carga viral adquirida (quantidade de coronavírus que o indivíduo tem contato no momento da infecção) varia de pessoa para pessoa, podendo ser baixa, média ou alta. Isso traz diferentes níveis de imunidade para cada indivíduo. Entenda: uma pessoa pode desenvolver uma super resposta imunológica, enquanto outra conquistou uma defesa fraca e pouco efetiva, aumentando o risco de se reinfectar novamente.

Por isso, não é possível afirmar que a imunidade natural é o melhor remédio, já que ela é diferente em cada pessoa. Além disso, há variáveis como a gravidade da doença, a idade e a genética, por exemplo, que também moldam a resposta do sistema de defesa. Outro ponto é que há uma queda da imunidade com o passar do tempo. Por isso, é necessário que as pessoas se vacinem.

Uma coisa é certa: não é nada seguro buscar uma “imunidade natural” para algo que já matou mais de 700 mil pessoas só no Brasil e que ninguém sabe como cada organismo irá reagir.

Sistema

A vacina ensina o sistema imunológico a combater os agentes infecciosos que encontrar pelo caminho. Ela também oferece uma dose pré-determinada, ou seja, ela causa uma resposta imune forte e adequada, capaz de prevenir a infecção em uma grande porcentagem dos casos.

Ou seja, tomar as doses da vacina só trará benefícios: aqueles que não desenvolveram uma resposta imune após a infecção, conseguem com a vacina ativar o sistema de defesa. Já os que conseguiram algum nível de proteção após ficarem doentes, podem “atualizar” e “aprimorar” os processos imunológicos desenvolvidos previamente com a vacinação.

Vale lembrar também que a vacinação é uma estratégia coletiva. Quanto mais pessoas estiverem protegidas, menor será a transmissão do vírus.

A única contraindicação do imunizante contra a covid-19 é para pessoas com hipersensibilidade ao princípio ativo ou a qualquer dos excipientes da vacina; pessoas que já apresentaram uma reação anafilática confirmada a uma dose anterior de uma vacina; pacientes que sofreram trombose venosa e/ou arterial importante em combinação com trombocitopenia após vacinação com qualquer vacina para a covid-19; e pessoas com histórico de síndrome de extravasamento capilar.

Já peguei covid-19 e estou bem. Preciso me vacinar?

Com certeza. Pesquisas apontam que a imunidade natural da COVID-19 só protege para reinfecção por um período limitado; enquanto oferece muito mais risco para o infectado do que a qualquer vacina que já foi oferecida pelo PNI. A vacinação para COVID-19 reduz as internações e mortes; enquanto outros estudos indicam que a infecção natural não é capaz de produzir o mesmo efeito. Assim a vacinação da população em geral ainda é a intervenção mais eficaz para controlar novos surtos da COVID-19.

Se ainda restam dúvidas, os especialistas afirmam que tomar as doses da vacina só trará benefícios: aqueles que não desenvolveram uma resposta imune após a infecção, conseguem com a vacina ativar o sistema de defesa. Já os que conseguiram algum nível de proteção após ficarem doentes, podem “atualizar” e “aprimorar” os processos imunológicos desenvolvidos previamente com a vacinação.

Vale lembrar também que a vacinação é uma estratégia coletiva. Quanto mais pessoas estiverem protegidas, menor será a transmissão do vírus.

Vacinas são mesmo seguras?

Sim. Todas as vacinas são muito seguras. Elas passam por rigorosos testes de segurança e qualidade, incluindo estudos clínicos, antes de serem aprovadas para o público.

Atualmente, a imunização evita quase três milhões de mortes todos os anos, globalmente. As vacinas estão entre os medicamentos mais seguros para o uso humano, proporcionando amplos benefícios à saúde pública de um país.

As reações aos imunizantes são geralmente pequenas e temporárias, como dor ou rubor (vermelhidão) no local da injeção. Reações mais graves são extremamente raras e cuidadosamente monitoradas e investigadas pelo Ministério da Saúde.

É muito mais provável que uma pessoa adoeça gravemente por uma enfermidade que pode ser evitada pela vacina do que pela própria vacina. A doença poliomielite, por exemplo, pode causar paralisia; o sarampo pode causar encefalite e cegueira; e algumas doenças podem até resultar em morte.

Quer saber se outras vacinas são adequadas para você? Confira o calendário nacional de vacinação. Se você ainda não completou o ciclo vacinal ou está com alguma dose em atraso, vá até a unidade de saúde mais próxima de você.

Faça parte do Movimento Nacional pela Vacinação!

Compartilhe informação confiável

Não caia em fake news! Cheque com cautela conteúdos duvidosos e só repasse se tiver certeza da veracidade. Busque informação em páginas credenciadas e oficiais. Por fim, compartilhe com o maior número de pessoas a importância de manter a vacinação em dia e os perigos da desinformação.

Fontes consultadas:

1. SETTE, Alessandro; CROTTY, Shane. Immunological memory to SARS-CoV-2 infection and COVID-19 vaccines. Department of Health & Human Services USA, 2023.
Perguntas Frequentes – Vacinação
Encontrar informações atualizadas sobre o coronavírus (Covid-19)
2. Shioda K, Chen Y, Collins MH, Lopman BA. Population-Level Relative Effectiveness of the COVID-19 Vaccines and the Contribution of Naturally Acquired Immunity. J Infect Dis. 2023.
3. Du, H., Saiyed, S. & Gardner, L.M. Association between vaccination rates and COVID-19 health outcomes in the United States: a population-level statistical analysis. BMC Public Health. 2024.

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.