22/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Vídeos sobre a seca na Amazônia paraense mostram a crise climática pelo olhar dos amazônidas

Publicado em 06 de novembro, 2023

Foto: Divulgação/Samela Bonfim/LabComAmazônia

A estiagem na Amazônia ganhou narrativas audiovisuais concebidas e executadas por amazônidas. Com câmeras de celular, dezenas de jovens de grupos, coletivos e comunidades da Amazônia paraense mostraram como a seca severa tem afetado diferentes áreas urbanas, ribeirinhas e indígenas, como resultado de processos predatórios.

Os oito premiados no edital participaram do Cine Alter, no período de 3 a 5 de novembro de 2023, em Alter do Chão, onde puderam prestigiar diferentes programações. Para o coordenador do Programa Vozes do Tapajós combatendo as mudanças climáticas, Fabio Pena, a situação é resultado de vários anos de descaso com as políticas ambientais e falta de controle dos crimes.

“Esse festival vem em boa hora porque o debate é como que o audiovisual pode fazer a sociedade entender melhor esse problema que nós estamos vivenciando. Santarém está além da seca, tomado pela fumaça”, acrescenta.

Conheça os vídeos premiados na playlist.

Com a proposta de visibilizar as consequências das mudanças climáticas na Amazônia sob a ótica da população local, o Projeto Saúde e Alegria, o LabComAmazonia, o CineAlter e a plataforma Vozes do Tapajós sobre Mudanças Climáticas anunciaram o resultado da seleção de oito vídeos, que foram exibidos neste domingo (5/11). Foram dezenas de vídeos inscritos, avaliados por um conselho editorial com representantes das três entidades organizadoras.

As narrativas demonstram a aceleração das mudanças climáticas, a estiagem severa e os impactos para populações originárias, fenômeno das terras caídas, alteração na dinâmica de agricultura familiar e pesca, dificuldade de acesso e qualidade do ar.

Samela Bonfim, co-fundadora do LabComAmazônia, avalia que iniciativas dessa natureza são fundamentais para garantir espaços para a narrativa de jovens das próprias comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e de áreas urbanas da Amazônia, com a perspectiva de quem de fato está sendo impactado. “Incentivar essas produções é muito importante para mostrar como de fato essas populações estão sendo afetadas. Já adiantamos que novas edições virão e em diferentes formatos”, anuncia.

A exibição aconteceu durante o Festival de Cinema Latino Americano de Alter do Chão, que é uma iniciativa de fazedores de cultura da região do Tapajós, liderado pelo Instituto Território das Artes (ITA) com parceria de diversas instituições e apoiadores, dentre eles, o Projeto Saúde e Alegria, que é um dos conselheiros.

A atividade integrante da programação do cinema de Alter do Chão foi promovida pelo PSA, e destacou como o cinema de impacto pode ampliar o tema das mudanças climáticas e ecoar a urgência de medidas para conter a crise climática.

“Não muito tempo atrás, muita gente atrás criticava quem denunciava os crimes ambientais, queimadas e destruição das nossas florestas. O que a gente está vivendo agora é o resultado desse processo todo porque as questões do clima perpassam os anos. Vão acumulando até chegar numa situação drástica como a que nós estamos vivendo agora”, destacou Fábio Pena.

Formação

Os premiados também puderam participar de várias formações entre elas a 2ª Oficina de Cinema das Margens, em que foram apresentadas propostas de apoio com capacitações e financiamentos para que possam cada vez mais evoluir e ganhar visibilidade para que sua própria população fale da Amazônia. A atividade contou com apoio do programa wearevca fundacionavina e wwfbrasil.

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