18/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Comunidades concluem contagem anual de pirarucus em oito lagos manejados no PA

Publicado em 01 de novembro, 2023

Comunidades concluem contagem anual de pirarucus em oito lagos manejados no PA

No final de outubro, cerca de 20 pescadores das comunidades Urucurituba e Ilha do Carmo de Alenquer, promoveram jornada de contagem de pirarucus. Foram contabilizados 567 pirarucus nos lagos Lontras, Seringal, Baixa grande, Buraco preto, Papucu, Buraco das lontras, Mungubeira e Nova Aurora.

No manejo sustentável do pirarucu, todos os anos, os peixes precisam ser contabilizados neste período de águas baixas, quando os manejadores realizam contagens para avaliar os estoques pesqueiros e calcular a cota de captura de 305% a partir do resultado das contagens de pirarucus adultos, preservando os 70% restantes, como forma de assegurar a reprodução para fins de manutenção do seu estoque de forma sustentável. Os números servem para indicar avanços da conservação e apontar estratégias para promover a renda dos pescadores.

Os procedimentos utilizados para contagem de pirarucus seguem o método de Castello (2004), onde os pescadores demonstram sua habilidade de contar quando observam e escutam a boiada do pirarucu no momento em que ele vem à superfície da água realizar a sua respiração aérea.

Segundo a bióloga da Sapopema, Poliane Batista, cada pescador contou quantos pirarucus observou em uma unidade de área durante um intervalo de 20 minutos. Somente pirarucus maiores de 1 metro são contados, sendo classificados em duas categorias: juvenis (bodecos) (1-1,5 m) e adultos (>1,5 m). Os pescadores devem fazer as contagens de forma silenciosa para assegurar a acurácia das contagens e evitar que o comportamento do pirarucu seja alterado.

O esforço dos comunitários para o manejo sustentável compreende diversas etapas, como a organização comunitária, respeito à legislação e estabelecimento de acordos de pesca, vigilância dos lagos, contagens, pesca sustentável e comercialização da produção. A iniciativa exige uma dedicação enorme, e muitas vezes o pescador não é devidamente valorizado.

A comunidade de Urucurituba iniciou esse trabalho em 2014. Já Ilha do Carmo em meados de 2012. Neste período a Sapopema presta assessoria técnica para qualificar o manejo comunitário e fortalecer a iniciativa de conservação da espécie, visando a multiplicação dos estoques.

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