17/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Em 10 anos, total de brasileiros vivendo em más condições cai pela metade, diz IBGE

Publicado em 25 de agosto, 2023

Em 10 anos, total de brasileiros vivendo em más condições cai pela metade, diz IBGE

A proporção de brasileiros vivendo em condições de vulnerabilidade ligadas à pobreza caiu pela metade em uma década, de acordo com um novo estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgado nesta sexta-feira (25).

No biênio de 2008 e 2009, 44,2% da população vivia com restrições graves de acesso a serviços e estruturas básicas de moradia, educação ou transporte, entre outros.

Em 2017 e 2018, essa proporção havia caído para 22,3%, de acordo com o IBGE.

Os dados fazem parte dos Indicadores não Monetários de Pobreza e Qualidade de Vida, medidas recém-criadas pelo IBGE para avaliar as condições de pobreza da população não ligadas à renda, e por isso “não monetários”.

A ideia, de acordo com o instituto, é que, embora dê uma sinalização importante, só o nível de renda não é o suficiente para mensurar as condições reais e mais estruturais de vida das pessoas.

Por um determinado período, por exemplo, os ganhos de uma família podem ficar maiores, mas as restrições sociais e más condições em que vive podem não passar por mudanças estruturais significativas por conta disso.

É o é chamado de “abordagem multidimensional da pobreza”.

Graus

Para chegar ao total de pessoas com algum grau de vulnerabilidade e de pobreza sob essa ótica multidimensional, o IBGE avaliou cerca de 50 indicadores sociais divididos em seis grandes dimensões:

moradia (se a moradia tem parede, chão, telhas adequadas ou não está em área de risco)

serviços de utilidade pública (se a moradia tem fornecimento de água, luz, coleta de esgoto ou coleta de lixo)

saúde e alimentação (se a família tem acesso e pode arcar com medicamento e comida)

educação (verifica o grau de escolaridade de todas as pessoas que moram no local)

serviços financeiros e padrão de vida (se as pessoas ou a moradia tem conta em banco, fogão, geladeira, computador e outros utensílios)

transporte e lazer (avaliação da duração das jornadas de trabalho e do acesso e tempo gasto em transporte)

Famílias

Todos esses dados já são levantados pelo próprio IBGE na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), feita uma vez por década pelo instituto, averiguando detalhes sobre a renda e consumo dos domicílios e famílias do Brasil.

Para chegar aos novos indicadores não monetários, o IBGE cruzou os dados da POF referente ao período de 2008 e 2009 com a de 2017 e 2018.

“Diferentes aspectos são observados quando estamos falando de privações da qualidade de vida. Por exemplo, observa-se se uma família tem um banheiro exclusivo. Se ela não tem, isso é contabilizado”, explica o pesquisador do IBGE Leonardo Santos de Oliveira.

“Observa-se se há pouco espaço no domicílio, se existe violência na área onde se vive. Uma pessoa pode estar privada na educação e na saúde, outra pessoa pode estar privada na educação, na saúde e na moradia de forma muito intensa. Para ela ser considerada multidimensionalmente pobre, ela precisa estar privada em diferentes dimensões. E é isso que o índice irá representar.”

O IBGE alerta, entretanto, que os novos indicadores ainda estão sendo feitos de maneira experimental e podem conter imprecisões.

Norte e Nordeste

No Norte e no Nordeste do país, em 2008-2009, as parcelas da população na pobreza eram 73,3% e 69,2%, respectivamente. Já em 2017-2018, a proporção das pessoas com algum grau de pobreza caiu para 43,8% (-29,5 p.p.) na região Norte e para 38,2% (-31 p.p.) no Nordeste.

De acordo com Oliveira, as reduções da proporção da pobreza nessas regiões foram importantes, pois encurtaram sua a distância para a média do Brasil e para as demais regiões.

“Apesar de a pobreza ainda estar concentrada no Norte e no Nordeste, seus estados estão se aproximando das condições de outras áreas do país”, completa.

Áreas urbanas e rurais

Na área urbana, 17,3% da população que tinha algum grau de pobreza multidimensional, na edição mais recente da pesquisa, um percentual bem menor que os 37,3% registrados no período 2008-2009.

Já na área rural, mais da metade das pessoas (51,1%) apresentaram algum grau de pobreza multidimensional na edição última edição da POF, percentual considerado muito elevado, mas cerca de 27 p.p. menor que em 2008-2009, quando a proporção desta população era de 77,8%.

Melhora nos indicadores

A partir dos dados, o estudo criou três índices. Todos eles avaliam com metodologias e pesos próprios as diferentes dimensões sociais consideradas. São eles:

Índice de Pobreza Multidimensional não Monetário (IPM-NM),

Índice de Vulnerabilidade Multidimensional não Monetário (IVM-NM)

Índice de Pobreza Multidimensional não Monetário com Componente Relativo (IPM-CR).

Os índices são medidos em pontos e os três apontam melhoras ao longo da década considerada.

O IPM-NM que caiu de 6,7 em 2008-2009 para 2,3 em 2017-2018, o que representa uma queda de 65% na pontuação. O IVM-NM caiu de 14,5 para 7,7, recuo de 47%, enquanto o IPM-CR saiu de 15 para 12 pontos, numa redução de 20% entre 2008 e 2018.

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