02/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Caprichoso faz da resistência sua força no segundo ato no Bumbódromo

Publicado em 02 de julho, 2023

Foto: Divulgação

Por Peta Cid
Especial para o Portal do Marcos Santos

No espetáculo “Resistência: a força da nossa existência” o Caprichoso celebrou em segundo ato, na noite de sábado (01), no Bumbódromo, as lutas do boi negro de Parintins, uma brincadeira popular que resistiu aos tempos e chega a 110 anos depois, com a mesma força e vitalidade, com compromisso de ladear, junto às gentes amazônicas, a luta por meio da cultura popular.

O boi vestiu suas cores azul e branca para dar início ao espetáculo. O módulo aéreo do lamparineiro Lioca trouxe o Boi, o levantador Patrick Araújo e o sanfoneiro, enquanto o verso do amo Prince do Caprichoso chamou o apresentador Edmundo Oran para comandar a festa.

Foto: Divulgação

A Lenda Amazônica Veleiro Cabano do Uaicurapá abriu o espetáculo azul. Nas narrativas lendárias de Parintins, os moradores contam que em noites escuras, os pescadores temem sair para a labuta com medo de cruzar com o navio iluminado, um mistério que amedronta os moradores da região. A tripulação do barco já está encantada em seres das águas, engerada em poraquês e pirarucus. Os negros quilombolas transmutaram em jacarés-açus. As mulheres transfiguraram arraias e ainda carregam no véu de duas barbatanas o sonho de liberdade.

A alegoria trouxe a rainha do folclore, Cleise Simas. A Vaqueirada do Caprichoso evoluiu com o boi, enquanto vaqueires no módulo aéreo dos cavalinhos faziam acrobacias.

Foto: Divulgação

Na celebração indígena o levantador de toadas cantou trechos da música “Caminhando e Cantando” abrindo a evolução dos povos indígenas.

A figura típica regional da noite, Os Quilombolas da Amazônia”, homenageou o povo quilombola, afrodescendentes subalternizados que, junto a indígenas, caboclos e mestiços, ousaram cultivar o sonho de liberdade cabano.

Sufocados pela elite amazônica, tiveram que refugiar-se no interior do vale amazônico, em lugares de difíceis acessos, longe da infame ação de seus opressores.

Foto: Divulgação

Foram destaque os saberes dos pretos que ensinaram a dançar o marabaixo, o samba de cacete, o gingado do curimbó, e nos tornamos marujos e devotos de São Benedito.

A porta-estandarte Marcela Marialva representou os quilombolas.

Na transformação dos módulos para exaltação cultural, o Boi Caprichoso surgiu nas mãos de São Benedito e a sinhazinha da fazenda, Valentina Cid, que surgiu de Oxum e se transformou para bailar na arena.

Foto: Divulgação

O rito de resistência Hutukara Yanomani foi encenado como uma denúncia. Os rios estão agonizando contaminados pelo mercúrio, as caças fugiram as doenças e a morte estão tomando conta da terra.

O rito é um clamor do líder Yanomami Davi Kopenawa, que em 2019 veio a Parintins convite do Boi Caprichoso. A cunhã poranga chegou em uma coruja gigante para sua evolução e os tuxauas surgiram nos módulos para suas apresentações.

O Ritual de Iniciação Masculina Munduruku Marupiara fechou a noite. Foi cerimônia ritualística do povo originário Munduruku.

A festa de consagração do Marupiara marca a entrada dos futuros guerreiros, curumins para provar sua coragem, valentia, cruzam e vencem os sete caminhos da morte na cachoeira do inferno, remanso das piranhas, na toca das formigas tucandiras, na caverna dos espíritos, na praia do jacaré, na toca do jaguar e no ninho das serpentes, todos demarcados nas entranhas das matas e nas corredeiras do território ancestral Sawré Muybu, a sagrada Mundurucânia.

O pajé Erick Beltrão encerrou as apresentação com uma performance de transformação.

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