
O novo remédio contra a malária promete curar o paciente com apenas uma dose, aumentando a eficácia do tratamento. Foto: Divulgação
O Ministério da Saúde incluiu no Sistema Único de Saúde (SUS) um medicamento revolucionário para o tratamento da malária, a tafenoquina. A portaria de incorporação foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (6/6).
A droga promete curar o paciente com apenas uma dose, aumentando a eficácia do tratamento e podendo diminuir consideravelmente a propagação da doença. Ao contrário do que ocorre com o uso de primaquina, medicamento utilizado no Brasil há mais de 60 anos e administrado no paciente diariamente por um período de até 14 dias, a “tafenoquina poderá ser aplicada em uma única dose, pois sua ação alcança mais de 20 dias, apresentando chances de cura radical. O novo medicamento atua diretamente na forma hepática da malária vivax (os hipnozoítos), evitando as chamadas recaídas, que é o retorno da doença por infecção na corrente sanguínea”, esclarece o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Rondônia e do Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (Cepem), Dhélio Batista Pereira.
Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2019, a tafenoquina é uma droga inovadora no combate à malária e à infecção por Plasmodium vivax, o tipo mais prevalente da doença no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 80% dos casos no país são de Plasmodium vivax.
O Brasil foi o primeiro país do mundo com malária endêmica a autorizar o uso do medicamento em 2019. A recomendação é que a tafenoquina seja administrada em pacientes com 16 anos ou mais e que apresentem atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) comprovada por um teste rápido. Pacientes com atividade insuficiente da enzima deverão utilizar o tratamento convencional.
Os estudos com tafenoquina iniciaram com o exército norte-americano há pelo menos 30 anos. No entanto, nos últimos dez anos, uma parceria entre a organização não-governamental Medicines for Malaria Venture (MMV) e a farmacêutica britânica GlaxoSmithKline, com apoio da Fundação Bill and Melinda Gates, possibilitou a fase clínica dos estudos realizados no Peru, Índia, Vietnã, Etiópia e no Brasil, nas cidades de Porto Velho/RO e Manaus/AM.
Dados do Ministério da Saúde revelam que, em 2022, o Brasil registrou cerca de 108 mil casos de malária causados por Plasmodium vivax, provavelmente infectados no país. No total, foram notificados 128.864 casos da doença cuja infecção ocorreu em território nacional.
Veja mais notícias em Cidade