
Foto: Divulgação
O julgamento no Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) do médico gastroenterologista Edson Ritta Honorato, 65, foi marcado por decepção e revolta dos familiares e amigos de Melina Seixas e Alan Braga – que morreram após passar por procedimento de implantação de balão gástrico. Por unanimidade, os conselheiros decidiram punir Edson Ritta com uma pena de suspensão do exercício profissional de 30 dias. A defesa da família de Melina irá recorrer da decisão no Conselho Federal de Medicina.
Darlan Taveira, esposo de Melina, diz que é “surreal” a decisão do CRM-AM em relação ao caso. “Mesmo com todos os fatos de negligência registrados nos autos do processo, definiu-se uma sanção imposta de apenas 30 dias de afastamento, para uma pessoa que desprezou qualquer tipo de regulamento médico necessário para realizar um procedimento que prevê riscos aos pacientes”, afirma.
Taveira conta que está profundamente abalado, mas confiante que a justiça prevalecerá. “A indignação continuará, mesmo assim, afirmo, não irei descansar enquanto o verdadeiro significado de justiça seja feito diante de tanto descaso”.
Taveira agradeceu o apoio dos amigos, da família e da imprensa. “Agradeço imensamente a todos os amigos e familiares que estiveram presentes na manifestação pacífica, assim como Raul Góes, advogado da família que nos acompanha desde o início dessa luta. Minha gratidão à imprensa, representada pelos jornalistas, repórteres, editores, fotógrafos e cinegrafistas que acompanham o caso desde o início e representam a voz da sociedade diante de casos de impunidade. Que Deus nos proporcione o discernimento e a calmaria necessária e suportável, pois tenho a total convicção que a Justiça será concretizada”, disse o marido de Melina.

Foto: Divulgação
O médico Edson Ritta Honorato é investigado pela morte dos pacientes Melina Seixas e Alan Braga. O julgamento pelo CRM-AM começou nesta terça-feira (9/5). Édson é acusado de negligência médica durante o procedimento dos pacientes.
Em 5 de fevereiro de 2022, a jornalista Melina Seixas procurou a clínica Endograstro de Manaus, localizada no bairro Nossa Senhora das Graças, para o procedimento de implantação de um balão gástrico. O responsável pela cirurgia foi o médico Edson Ritta Honorato.
De acordo com o depoimento de Darlan Taveira, que acompanhou a esposa no procedimento, as informações dadas pelo médico e pela equipe de apoio foram poucas e desencontradas. “Disseram que o procedimento era algo simples, e que em 30 minutos ela estaria apta para voltar para casa”, afirma Taveira.
Segundo Taveira, ao perceber que o procedimento demorava mais do que o informado, perguntou ao médico como estava a esposa, e ele respondeu que a paciente estava bem e dormindo. Quase uma hora depois, Taveira viu entrar na clínica socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), momento em que percebeu que havia algo errado. Quando questionado pelo marido, o médico afirmou que Melina não havia acordado e que havia sofrido uma parada cardiorrespiratória.
Ainda segundo o esposo, Melina foi encontrada dentro da sala de procedimento, no chão, desacordada, com os lábios e rosto roxos, sem nenhum tipo de equipamento de emergência para reanimá-la. Depois disso, as informações que chegaram à família foram somente através da equipe do Samu.
Desacordada, Melina teve que ser removida da clínica de cadeira de rodas, pois a maca não entrava no elevador do prédio. Ela foi levada para o Hospital Pronto Socorro 28 de Agosto e, lá, sofreu outras paradas cardíacas. Enquanto a equipe do hospital alertava que a situação de Melina era muito grave, o médico responsável pelo procedimento, por outro lado, afirmava que ela estava estável. Melina morreu no mesmo dia, por volta das 16h10.
Já no dia 6 abril, faleceu Alan Leite Braga, de 65 anos, após passar pelo mesmo procedimento de Melina. Segundo a família de Alan, o idoso teve uma série de complicações após a cirurgia e não recebeu orientações adequadas do médico Edson Ritta.
Alan teria voltado à clínica dias depois pedindo a remoção do balão, mas o médico teria se recusado a tirar. Após uma piora no quadro de saúde, Alan foi levado ao 28 de Agosto, onde foram constatados uma insuficiência renal e um rompimento no estômago. Ele morreu dias depois. A família também entrou com uma ação contra o médico, mas o julgamento do Alan ainda não foi marcado pelo CRM-AM.
Veja mais notícias em Cidade