13/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Triagem de gestantes para vírus poderia evitar infecção de mais de mil bebês por ano

Publicado em 18 de abril, 2023

Triagem de gestantes para vírus poderia evitar infecção de mais de mil bebês por ano

Um estudo estimou, por meio do desenvolvimento de um modelo matemático, que a implementação de políticas públicas na prevenção da transmissão do HTLV-1 por aleitamento materno no Brasil evitaria a infecção de mais de mil crianças por ano. A pesquisa foi realizada por cientistas da Imperial College de Londres, em colaboração com grupos de pesquisa no Brasil, incluindo a Fiocruz Bahia, e publicada na Lancet Global Health. O Ministério da Saúde recomenda a suspensão do aleitamento para mães vivendo com HTLV-1, no entanto a testagem não é oferecida no SUS para gestantes de todo o país.

Esta intervenção reduz o risco de transmissão do vírus para a criança, prevenindo cerca de 85% das infecções. Apenas em alguns estados, como a Bahia, a testagem é parte do pré-natal, constituindo-se como política de prevenção. A implementação da testagem para as gestantes está em processo de avaliação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia no Sistema Único de Saúde (Conitec).

O vírus linfotrópico de células T humano do tipo 1 (HTLV-1) é um retrovírus da mesma família do HIV, e pode causar doenças graves, como câncer e desordens neurológicas crônicas. Esse vírus tem vias de transmissão semelhantes ao HIV, podendo contaminar uma pessoa pela via sexual desprotegida (sexo sem preservativo), por objetos perfuro-cortantes, ou pelo aleitamento materno. Atualmente, estima-se que cerca de 800 mil a 2,5 milhões de brasileiros são portadores do vírus.

Os pesquisadores avaliaram que, caso fosse implementada a testagem massiva de gestantes para o HTLV-1, entre 41 e 207 crianças por ano deixariam de desenvolver a leucemia de células T do adulto, tipo de câncer gerado pelo HTLV-1, altamente agressivo e geralmente fatal. Além disso, cerca de 31 a 93 casos da mielopatia associada ao HTLV-1 – doença progressiva que afeta a medula espinhal – também seriam prevenidos. Este tipo de intervenção pode acarretar em benefícios econômicos futuros para o sistema de saúde brasileiro.

O modelo matemático desenvolvido pelos pesquisadores está disponível de forma gratuita e aberta. A intenção é que o trabalho possa ser utilizado por outros países para avaliar o custo-efetividade da implementação de políticas públicas para prevenção da transmissão por aleitamento materno. Os cientistas ressaltam que, como não há tratamento ou vacina para o HTLV-1, a melhor política a ser adotada para o combate ao vírus é a prevenção de novas infecções.

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