19/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Troca de comando da Marinha ocorre sem presença de antecessor do governo Bolsonaro

Publicado em 05 de janeiro, 2023

Troca de comando da Marinha ocorre sem presença de antecessor do governo Bolsonaro

O almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen tomou posse, nesta quinta-feira (5), como comandante da Marinha no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pela primeira vez desde o processo de redemocratização, a cerimônia não contou com a participação do antecessor para a troca de cargo.

O comandante anterior da Marinha, Almir Garnier Santos, escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), faltou ao evento. A ausência causou um clima de mal-estar institucional, e aliados do novo governo temem uma polarização interna ainda maior.

Apesar de não ter comparecido à cerimônia, Garnier gravou um áudio, que foi reproduzido durante a posse. Nele, o ex-comandante desejou sucesso a Olsen, saudou a instituição e mandou lembranças ao novo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.

A aliados, o ex-comandante, considerado o mais próximo a Bolsonaro entre os líderes das Forças Armadas, já tinha dito que não participaria da troca. O motivo seriam questões políticas.

Agora, a orientação do ministério da Defesa é apaziguar os ânimos e buscar a construção de um ambiente mais neutro. Em discurso, Múcio ressaltou que a Marinha é uma instituição de Estado e que a responsabilidade do novo comandante consiste em “defender a nossa pátria e assegurar a soberania brasileira em terra ou no mar”.

Discurso de posse

O novo comandante da Marinha expressou, durante o discurso de posse, “notória gratidão” a Lula pela nomeação. Também agradeceu ao ministro da Defesa, a quem prometeu “lealdade, comprometimento, disponibilidade e diligência na condução da Força Naval”.

Olsen destacou os desafios à frente da Marinha e disse estar “convicto da magnitude da responsabilidade e complexidade dos desafios que se impõem”.

A estatura político-estratégica do Estado brasileiro reclama por um poder naval compatível, dotado de capacidade operacional crível, estruturada sob condições de eficiência que garantam seu pronto emprego para a defesa da pátria e a salvaguarda dos interesses nacionais.

O novo comandante se comprometeu a cumprir a “missão constitucional em estrita observância às políticas estratégias e planos nacionais e setoriais de Defesa”.

Histórico

Olsen ingressou na Marinha em 1979. Já ocupou os cargos de diretor do pessoal civil da Marinha, de comandante da Força de Submarinos, chefe do Estado-Maior do Comando de Operações Navais, comandante de Operações Navais entre outros.

O novo comandante também representou o Brasil na junta interamericana de Defesa, além de ter exercido a Chefia de Gabinete da Diretoria-Geral do Pessoal da Marinha (DGPM).

Olsen tem pós-graduação em Ciências Políticas na Universidade de Brasília e mestrado em Defesa e Segurança Hemisférica pela Universidade Del Salvador, na Argentina.
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