12/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Transição avalia tirar Bolsa Família do teto de gastos e PEC deve ser divulgada na quarta (16)

Publicado em 12 de novembro, 2022

Transição avalia tirar Bolsa Família do teto de gastos e PEC deve ser divulgada na quarta (16)

A equipe de transição do futuro governo discute com aliados se vai propor a retirada do Bolsa Família do teto de gastos por quatro anos ou de forma permanente. O texto da proposta de emenda constitucional deve ser divulgado na quarta-feira (16).

O conselho político é formado por 14 partidos. Apenas o MDB não estava presente na reunião desta sexta-feira (11). Os senadores Renan Calheiros e Jader Barbalho estão viajando.

A coordenadora de articulação política do governo de transição, Gleisi Hoffmann, disse que o futuro governo quer ampliar as conversas com o União Brasil pelo apoio do partido. O conselho discutiu a proposta de emenda à Constituição para pagar o Bolsa Família no ano que vem.

A previsão inicial era de que a equipe de transição apresentasse nesta sexta a proposta de emenda constitucional para retirar o Bolsa Família do teto de gastos, mas o anúncio só deve acontecer na quarta-feira (16). Líderes partidários pediram mais tempo e fizeram sugestões de mudanças na proposta, entre elas a duração da retirada do Bolsa Família do teto de gastos.

O orçamento para o ano que vem enviado pelo atual governo já prevê um benefício médio de R$ 405 para o Bolsa Família – são R$ 105 bilhões no total.

O governo eleito quer elevar o benefício de R$ 405 para R$ 600 e dar adicional de R$ 150 por criança até seis anos. Para isso, precisaria de mais R$ 70 bilhões, que não estão previstos no orçamento.

Mas em vez de pedir que fiquem fora do teto só os R$ 70 bilhões suficientes para o acréscimo no benefício, a equipe de transição quer que a PEC deixe todo o valor do Bolsa Família, R$ 175 bilhões, fora do teto de gastos. O futuro governo pretende usar os R$ 105 bilhões dessa folga que seria criada no orçamento em outros programas, como merenda escolar, e também em investimentos.

Orçamento

O senador eleito Wellington Dias, do PT do Piauí, coordenador da área de orçamento, afirmou que a negociação da PEC está sendo conduzida levando em conta o controle das contas públicas.

“Estamos fazendo também com muita responsabilidade, com o controle das contas públicas, ou seja, apenas o estritamente necessário e dentro de uma situação que, por ter também recursos para investimentos, nós acreditamos que, nesse formato, nós vamos voltar a garantir condições do crescimento do país e é com o crescimento do país que a gente, inclusive, melhora as contas públicas”, disse.

O senador eleito disse ainda que discute com outros partidos quanto tempo esse auxílio social ficaria fora do teto de gastos.

“A proposta é que há uma necessidade permanente. Estamos falando que enquanto a gente tem pessoas passando fome, o Brasil tem compromisso de alterar. É claro que quem é governo trabalha com o horizonte nos quatro anos de mandato. Então essa posição em relação a quatro anos ou de forma definitiva ela é também uma dessas propostas que estamos fazendo em entendimento com a Câmara e com o Senado”, ressaltou.

Em um evento com investidores, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que tem mandato até 2024, afirmou que o desafio do novo governo é equilibrar o cuidado da área social com uma boa gestão das contas públicas.

“A gente precisa ter de um lado um olho para o social – e a gente entende que a pandemia deixou muitas cicatrizes -, mas precisa também ter um olho para o equilíbrio fiscal, porque no final das contas se a gente não tiver equilíbrio fiscal, a gente volta para um mundo de incerteza aonde a expectativa de inflação sobe, você desorganiza o setor produtivo em termos de investimento e no final quem sofre mais com isso é exatamente a população que você quer ajudar, porque você machuca a geração de emprego”, afirmou.

Planejamento

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que faz parte do grupo de planejamento da equipe de transição, está tentando adiar a eleição para presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento, marcada para o próximo dia 20. Mantega não concorda com a indicação para o cargo feita pelo governo Bolsonaro, de Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central.

A indicação é considerada técnica e Ilan teria grandes chances de ser eleito, porque o Brasil é o único dos grandes países que ainda não presidiu o BID. O adiamento é tido pelos países-membros como improvável, e economistas alertam que a tentativa pode atrapalhar a escolha de um brasileiro para o comando do banco. Mantega disse em entrevista à GloboNews que a candidatura de Ilan Goldfajn não é um consenso entre os países.

“Não estou dizendo que o Ilan seja um mau candidato. Esses colegas, alguns deles acham que seria interessante a gente prorrogar essa eleição, que está marcada para o dia 20, para um período futuro de modo que o novo governo pudesse se manifestar e de modo que nós pudéssemos coordenar o apoio a um candidato que não precisa ser brasileiro, ele precisa ser um bom candidato do BID para exercer as suas funções”, disse.

Transição

O governo de transição já tem nove dos 31 grupos técnicos definidos. Nesta sexta foram confirmados outros nomes, como o de Miriam Belchior, que foi ministra do Planejamento no governo Dilma Rousseff, e Márcio Elias Rosa, secretário estadual de Justiça na gestão do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin.

No grupo técnico da agricultura, um nome certo é o do deputado Neri Geller, do Progressistas, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, que já negocia com o governo de transição.

Geller afirmou que a relação do setor com o presidente eleito avançou.

“A poeira precisa baixar e está começando a baixar agora, e a gente trazer o setor um pouco para dentro. Quem tem mais equilíbrio, que seja mais moderado, para que a gente possa aproximar o setor do governo e ocupar os espaços para discutir a política do ponto de vista do desenvolvimento do agronegócio”, afirmou o deputado federal Neri Geller, PP-MT.

Veja mais notícias em Política

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.