19/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Pernas amputadas de homem são entregues à família em caixa de papelão por funcionários de hospital

Publicado em 10 de outubro, 2022

Foto: Reprodução

Após um acidente de motocicleta, o pedreiro Deonir Teixeira da Paixão, 46, teve as suas duas pernas amputadas, uma no local do ocorrido e a outra por uma equipe do Hospital Regional de Paraíso do Tocantins, neste domingo (9). No mesmo dia, os dois membros foram entregues à família de Deonir em uma caixa de papelão, por funcionários da unidade de saúde.

Na caixa havia ainda um recado: “Membro inferior direito sem o pé e membro inferior esquerdo com o pé. Obs: falta um pedaço da perna direita também”. Os familiares também assinaram um termo para ficar com os membros.

Os parentes de Deonir procuraram uma funenária, mas os funcionários não sabiam como proceder, pois geralmente os membros são entregues no necrotério.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que houve falha na comunicação sobre o descarte das pernas amputadas e que, nesses casos, uma empresa é responsável pelo descarte, mas “a equipe multiprofissional não soube explicar o trâmite à família, que decidiu levar os membros”.

Deonir foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral de Palmas (HGP). E as pernas amputadas foram levadas ao Cemitério de Paraíso do Tocantins, na manhã de hoje (10), mas não foram enterradas por causa da ausência de documentos exigidos para um sepultamento.

Foto: Reprodução

“O filho que recebeu o material está em estado de choque. Chamamos a funerária porque não sabíamos o que fazer. Receber o resto de uma pessoa e enterrar no fundo de um quintal? Era 30% do corpo dele. As duas pernas inteiras”, disse uma sobrinha do pedreiro.

Conforme a SES, todas as unidades hospitalares estaduais seguem um protocolo padrão dentro das resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 306 (2004) e do Conselho Nacional do Meio Ambiente nº 358 de (2005).

“Em caso de amputações a equipe multiprofissional da unidade hospitalar informa aos familiares sobre a necessidade do procedimento para a manutenção da vida do paciente e no ato é dada à família a escolha de levar os membros ou deixar a cargo do serviço de saúde, o descarte dos mesmos”, informou a SES.

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