
Foto: Reprodução TV Globo
O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a questionar e a duvidar das urnas eletrônicas e disse que aceitará o resultado das eleições de outubro, “desde que sejam limpas”. As declarações foram dadas em entrevista na noite de hoje (22), ao Jornal Nacional, na TV Globo.
Bolsonaro é candidato pelo PL à reeleição. Durante a entrevista, ele defendeu a sua aliança com o Centrão. “O Centrão são mais ou menos 300 parlamentares. Se eu deixar de lado, vou governar com o quê? Não vou governar com o parlamento. Então, você está me estimulando a ser um ditador”, afirmou. “São 513 deputados, 300 são de partidos de centro, pejorativamente chamado de Centrão. O lado de lá, os 200 que sobram, o pessoal do PT, PCdoB, PSOL, Rede, não dá para você conversar com eles. Até eles não teriam números suficentes para aprovar um PL comum. Então, os partidos de centro fazem parte, grande parte, da base do governo para que possamos avançar em reformas”.
Sobre o resultado das eleições nas urnas eletrônicas, o presidente disse que “Seja qual for [o resultado das urnas], eleições limpas devem e têm que ser respeitadas. Limpas e transparentes têm que ser respeitadas”.
Ele também disse que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, tem uma reunião marcada com o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, para tratar da segurança das urnas eletrônicas. As Forças Armadas, junto com o TSE e outros órgãos, compõem a comissão que fiscalizam as urnas.
“Amanhã, ele [Moraes] tem encontro com o ministro da Defesa para tratar de transparência. Tenho certeza que vão conversar e chegar a um bom termo. Precisei provocar. Pode ficar tranquilo. Terão eleições limpas e transparentes no corrente ano”, afirmou Bolsonaro.
Economia também foi pauta da entrevista e Bolsonaro foi questionado sobre indicadores que, atualmente, estão piores do que os encontrados pelo candidato ao assumir a presidência, em 2018. Ele creditou esses problemas à pandemia de Covid-19, à guerra na Ucrânia e à seca de 2021.
“O que nós pretendemos fazer? É continuar exatamente na política que vínhamos fazendo desde 2019. A grande vacina a favor da economia em 2019 foram reformas, como por exemplo a da Previdência. Foi a Lei da Liberdade Econômica, foi a modernização das Normas Regulamentadoras. […] Nós fizemos muita coisa no Brasil, atendemos realmente a todas as camadas da sociedade. Só agora na questão do IPI, a proposta do Paulo Guedes que está parada no Supremo Tribunal Federal, nós pretendemos diminuir imposto de 4 mil produtos em 35% de IPI.”
A respeito das declarações que deu contra as vacinas para prevenir a Covid-19, e o fato de ter dito que quem tomasse o imunizante poderia virar “jacaré”, Bolsonaro disse que usou uma “figura de linguagem”. “Não, não houve suspensão da minha parte. A questão da Pfizer, no contrato estava escrito ‘não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral’. Outra coisa, a Pfizer não apresentou quais seriam os possíveis efeitos colaterais. Daí eu usei uma figura de linguagem ‘jacaré’.”
Os repetidos ataques contra o sistema eleitoral e ministros do Supremo Tribunal Eleitoral também foram tema da entrevista. Bolsonaro disse que xingou Alexandre de Moraes porque “a temperatura subiu”, em dado momento, mas “pelo que tudo indica, está pacificado”.
“As medidas que vinham sendo tomadas por esse ministro eram contestáveis. Lá atrás, inclusive, a procuradora Raquel Dodge deu um parecer para que esse inquérito deixasse de existir, e continua existindo. A temperatura subiu. Hoje em dia, pelo que tudo indica, está pacificado. Espero que seja uma página virada. Até você deve ter visto, por ocasião da posse do senhor Alexandre de Moraes, um certo contato amistoso nosso lá. E pelo que tudo indica, está pacificado. E quem vai decidir essa questão de transparência ou não serão, em parte, as Forças Armadas que foram convidadas para participar da Comissão de Transparência Eleitoral”, comentou.
O governo Bolsonaro é criticado no Brasil e no exterior por políticas consideradas insuficientes para a proteção das florestas. Ele foi questioando sobre os índices de desmatamento em seu governo e alegou que a Amazônia é do tamanho de países europeus. “Olha só, a Amazônia é do tamanho da Europa Ocidental. Ali na Amazônia cabe uma Alemanha, cabe uma França, cabe uma Itália, cabe Portugual, cabe um montão de países. Você pensa que fiscalizar, evitar de pegar fogo, [é] assim: ‘Vamos lá?'”, argumentou.
Jair Bolsonaro foi o primeiro candidato a participar da série de entrevistas do Jornal Nacional. Os próximos serão Ciro Gomes (PDT), na terça-feira (23); Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na quinta-feira (25); e Simone Tebet (MDB), na sexta-feira (26).
Foram convidados os cinco candidatos mais bem colocados na pesquisa divulgada pelo Datafolha em 28 de julho. André Janones (Avante), que estava entre os cinco, retirou a candidatura. Um sorteio realizado em 1º de agosto com representantes dos partidos definiu as datas e a ordem das entrevistas.
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