22/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Após alerta, Putin aceita inspeção em usina nuclear da Ucrânia

Publicado em 20 de agosto, 2022

Após alerta, Putin aceita inspeção em usina nuclear da Ucrânia

Em conversa telefônica, os presidentes Vladimir Putin (Rússia) e Emmanuel Macron (França) avalizaram o envio de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) à central nuclear de Zaporizhzhia, no centro-sul da Ucrânia.

A usina atômica foi alvo de bombardeios, pelos quais Moscou e Kiev se acusam mutuamente. O Kremlin admite que a comitiva da AIEA terá a meta de “avaliar a situação real no terreno”.

A Organização das Nações Unidas (ONU) advertiu sobre o risco de uma catástrofe nuclear, caso um dos reatores seja atingido. O secretário-geral António Guterres disse que qualquer dano à usina seria “suicídio” e instou o fim das atividades militares na área.

Ele também pediu à Rússia que não desconecte a central da rede de energia elétrica ucraniana. “Obviamente, a eletricidade de Zaporizhzhia é energia elétrica ucraniana… Este princípio deve ser plenamente respeitado”, defendeu.

O próprio Putin reconheceu o perigo de um acidente nuclear, ao destacar que o Exército da Ucrânia bombardeia “sistematicamente” o território de Zaporizhzhia, ocupado pelas forças russas.

O governo francês admitiu que Putin aceitou a passagem da missão de verificação pela Ucrânia, “respeitando-se a soberania ucraniana”. Imagens de satélite mostraram caminhões do Exército russo estacionados ao lado das turbinas de um dos reatores da usina.

Em entrevista ao Correio, John Erath — diretor de Política Sênior do Centro para Controle de Armas e Não Proliferação (em Washington) — disse esperar que os inspetores da AIEA sejam capazes de visitar o local e avaliar a situação de forma adequada.

Internacionais

“Houve dificuldade em planejar uma visita porque a Rússia insistia em reconhecer o seu direito de controlar a área, que, legalmente, faz parte da Ucrânia. A usina nuclear se situa perto da linha entre a ocupação russa e a Ucrânia livre. Por isso, existe a possibilidade de combates na região enquanto as tropas russas permanecerem ali”, disse.

Segundo Erath, a proibição de acesso dos observadores internacionais impedia, até o momento, que o Ocidente tivesse uma visão clara sobre as condições em Zaporizhzhia. “Parece que os russos colocaram equipamentos militares dentro da central nuclear, sabendo que a Ucrania não atacaria as instalações, ante o risco de um desastre ambiental. É uma medida altamente irresponsável, pois as consequências da liberação de radiação seriam severas”, advertiu.

O especialista em não proliferação nuclear sublinhou que a Ucrânia não tem interesse em nenhuma manobra que precipite uma catástrofe radioativa.

“A Rússia, por sua vez, busca ocupar porções do território ucraniano e forçar um colapso do governo democraticamente eleito da Ucrânia, que seria substituído por um regime sob influência de Moscou. O controle dos suprimentos de energia ajudaria o Kremlin nesse sentido”, disse Erath.

Ele não descarta que a Rússia utilize a possibilidade de um ataque da Ucrânia como pretexto para desconectar Zaporizhzhia da rede ucraniana, o que privaria o país de 20% de sua eletricidade. “O inverno está chegando. Milhares de civis poderiam morrer de fome ou congelados. Incapaz de atingir seus objetivos no campo de batalha, a Rússia pode transformar o inverno em arma”, acrescentou Erath.

Morador da cidade de Zaporizhzhia, a cerca de 100km da usina nuclear, o advogado Hryhorii Nemchenko mostra-se cético em relação à inspeção das instalações.

Funcionários

“Eu não acredito que os funcionários da AIEA terão a oportunidade de conferir a situação real da central atômica. Mas, a ameaça continua, ainda que hoje não tenhamos visto sinais claros de detonação ou de bombardeio pesado da usina nuclear”, disse à reportagem.

Nemchenko também considera possível que a Rússia tente desconectar o suprimento de certas regiões da Ucrânia, cujas consequências serão graves durante o inverno. De acordo com ele, forças russas se movem ativamente na área da usina nuclear.

“As autoridades ucranianas estão preocupadas com a deterioração da situação em 24 de agosto, Dia da Independência da Ucrânia. A Rússia pode adotar ações inesperadas”, alertou Nemchenko.

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.