
Obra de gasoduto que tornaria país autossuficiente em gás é paralisada, diz Petrobras
Em comunicado ao mercado na manhã desta terça-feira (12), a Petrobras informou que o gasoduto Rota 3, responsável por contribuir para tornar o Brasil autossuficiente em gás natural até 2027, não será mais inaugurado no segundo semestre, como previsto.
A Petrobras comunicou que as obras da Unidade de Processamento de Gás Natural do Polo Gás Lub (UPGN), em Itaboraí, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, estão paralisadas porque a empresa responsável pela construção interrompeu unilateralmente o contrato
Com o informe da Petrobras, o mercado trabalha agora com a previsão de que a UPGN seja inaugurada em março de 2023, o que ainda não foi confirmado pela companhia.
Ainda segundo a estatal, a empresa responsável pela obra da UPGN desmobilizou o quadro de funcionários, estimado em cerca de 1,5 mil trabalhadores.
“Por este motivo, a obra está paralisada, sendo realizada apenas atividades de preservação dos equipamentos e das instalações. Adicionalmente, a Petrobras reforça que está em dia com todos os seus compromissos com a referida empresa”, diz um trecho do comunicado divulgado pela estatal.
As obras são realizadas pelo consórcio formado entre a petroleira chinesa Kerui e a empreiteira brasileira Método Potencial, que resultou na Sociedade de Propósito Específico (SPE) Keruí-Método. Procurada, a parceria ainda não e manifestou.
Quando pronta, a UPGN tem previsão de receber e processar, segundo a Petrobras, o equivalente a 21 milhões de metros cúbicos de gás por dia, colocando o Brasil num patamar de independência porque o país passará a ter sua demanda por gás natural suprida internamente.
A previsão é que essa autonomia esteja garantida até 2027.
O produto vem dos campos marítimos da Bacia de Santos, por meio de um gasoduto de 355 quilômetros de extensão.
Em janeiro, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, estiveram presentes na unidade, para a cerimônia de pré-partida.
Diretor-executivo do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, que esteve cotado para a presidência da Petrobras esse ano, entende que o atraso é prejudicial para a demanda interna do país e gerará custos extras, por conta do elevado preço da commodity no mercado internacional.
O fenômeno se deve à Guerra na Ucrânia. “É uma notícia muito ruim, porque esse gás supriria uma queda de produção que acontece nos campos do pós-sal. O gás, que chegou a custar cinco dólares o milhão de BTUS, agora oscila entre US$ 25 e US$ 30. Então, a Petrobras vai ter que arrumar esse gás que, provavelmente, será importado”, afirma Pires.
Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Rio de Janeiro é detentor de cerca de 60% das reservas brasileiras provadas de gás natural.
Em maio, a estatal boliviana Yacimentos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) reduziu em 30% o fornecimento de gás natural ao Brasil, por meio do gasoduto Brasil-Bolívia, o que resultou na redução de fornecimento de seis milhões de metros cúbicos diários e fez com que o país precisasse importar mais gás natural liquefeito (GNL).