18/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Incêndio em galpão da Cinemateca foi acidental, conclui PF

Publicado em 09 de julho, 2022

Incêndio em galpão da Cinemateca foi acidental, conclui PF

A investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) sobre o incêndio em um galpão da Cinemateca Brasileira no ano passado concluiu que o episódio foi acidental.

“Segundo o laudo da PF os peritos consideraram a causa do incêndio como acidental, durante a manutenção do sistema de climatização realizado por empresa terceirizada”, informou a Secretaria Especial de Cultura, em nota.

“A Secretaria Especial da Cultura avalia medidas administrativas/judiciais no sentido de apurar responsabilidades com vistas a recomposição ao dano ao patrimônio público”, acrescenta.

O incêndio aconteceu em um galpão da Cinemateca no bairro da Vila Leopoldina, na cidade de São Paulo. A estimativa do Corpo de Bombeiros indicou que o fogo atingiu cerca de 300 m², o que incluiu três salas com arquivos históricos.

Registro do País

As chamas apagaram uma parte relevante do registro audiovisual do país, de importância mundial, e o caso foi visto como um desastre anunciado. O governo já tinha sido alertado sobre o risco pelo Ministério Público, pela imprensa e por especialistas.

Na manhã seguinte ao incêndio, o governo federal publicou um edital para contratar uma entidade para cuidar da instituição em São Paulo.

Cerca de quatro toneladas de documentos sobre a história do cinema no Brasil, incluindo parte do acervo de Glauber Rocha, estavam entre os materiais armazenados no galpão da cinemateca.

A Cinemateca é de responsabilidade do governo federal e é gerida por meio da secretaria especial de cultura em Brasília.

Por não ter o auto de vistoria do Corpo de Bombeiros, o imóvel recebeu uma advertência e tem um prazo de 180 dias para a regularização. Em uma audiência pública no dia 20 de julho do ano passado, o Ministério Público em São Paulo alertou para o risco de incêndio.

Um documento registra que após uma visita ao local, o MP identificou risco, principalmente, em relação aos filmes de nitrato.

O incêndio que atingiu o galpão da Cinemateca reativou o debate em torno do modelo de gestão da entidade, que guarda o maior acervo da América Latina dedicado ao cinema.

Governo federal

Há um ano, ela vinha sendo administrada diretamente pelo governo federal. Na manhã seguinte ao incêndio, a Secretaria Especial de Cultura publicou um edital para a escolha de uma organização da sociedade civil que ficará responsável por cuidar do espaço.

A gestão da Cinemateca era feita pela Associação de Comunicação Recreativa Roquette Pinto (Acerp), organização social baseada no Rio de Janeiro que já fazia a gestão da TV Escola para o governo federal, desde 2018.

O contrato se encerrou no final de 2019 e não foi renovado. Em agosto de 2020, todos os funcionários ligados à Acerp foram demitidos e o governo federal retomou a gestão, prometendo o lançamento de um novo edital para escolha de uma nova entidade gestora – o que só aconteceu na manhã seguinte ao incêndio.

A demora na publicação das regras para o processo vinha sendo criticada pelo setor audiovisual.

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