
Caprichoso leva alegorias gigantes e o grito pela vida na noite Amazônia-Floresta
Com uma apresentação apoteótica do início ao fim, alegorias gigantes o Boi Caprichoso levou para a arena do Bumbódromo a noite Amazônia-Floresta: o grito da vida, convocando o mundo a se unir em defesa da floresta, da fauna, flora, rios, lendas e mitos e do povo.
O boi azul da Francesa abriu o espetáculo com a chegada do apresentador Edmundo Oran e do levantador de toadas, Patrick Araújo descendo de um guindaste, rodeados de vagalumes, sugerindo luz para sobre a escuridão dos tempos e servindo de farol e guia a espelhar sobre a tez das águas do rio Amazonas um grito pela vida.
Com muitos fogos de artifício e a emoção de quem esperou dois anos para voltar às arquibancadas do Bumbódromo, a galera azul e branca explodiu em energia cantando o refrão da toada “É Festa de Novo”. “Vai tremer o chão, fazer poeira a noite inteira, Caprichoso campeão”.
A primeira alegoria da Lenda Amazônia Ka’Aporanga, a Guardiã da Floresta, trouxe a cunhã-pranga Marciele Albuquerque. A lenda conta que os Maraguá, do rio Abacaxis, no município de Nova Olindado Norte, acreditam que para cada recanto da floresta existe uma entidade, com a missão de zelar pela vida.
Esses protetores são mães, pais espirituais, que cuidam das árvores, animais, águas e todas as demais formas de vida. Criaturas sagradas, como o Mapinguarí, o Juma, o Bicho-Folharal e o Curupira, faziam a composição da lenda para afugentar garimpeiros, biopiratas, navegantes desavisados.
O boi Caprichoso e a sinhazinha da fazenda Valentina Cid também desceram de um ser de luz trazido por por um guindaste e evoluíram valsando pela arena para o delírio da nação azul.
A celebração indígena, “A Crueldade do Conquistador – o roubo da terra” mostrou que a invasão da Amazônia é um dos capítulos mais sangrentos e vergonhosos da história. A evolução dos brincantes retratou a primeira resistência à sede de destruição que os europeus fizeram ao aportar por aqui. Mostra a violência e o sofrimento que vieram com as grandes embarcações e que deixaram feridas, ainda abertas, sobre a Amazônia, o Brasil e todo o continente.
A figura típica regional, “O Caboclo Ribeirinho” retratou um dos principais guardiões das águas amazônicas, dos rios contaminados por mercúrio e trouxe a rainha do folclore Cleise Simas. A porta-estandarte Marcela Marialva, foi conduzida por um globo, ao centro da arena, onde evoluiu conduzindo o pavilhão azul do boi da Francesa.
Uma das alegorias mais esperadas, o Ritual Indígena Tapari: Sucaí, o Tarupá da Friagem, fez nevar na arena do Bumbódromo. Na crença Tapuri, o canto e o assovio do curupira são prenúncios de que Sucaí – o tarupá que afugenta o sol e faz a temperatura baixar – está a caminho da floresta. Com as fogueiras acesas, a chegada do Pajé celebrou o ritual repassando ensinamentos que protegem o povo da ação letal da friagem.
Por Peta Cid
