01/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Dia do Orgulho Autista: Mãe fala sobre o sentido da data para quem convive com criança com autismo

Publicado em 18 de junho, 2022

Joyce Santos é mãe de Pablo Richard, de 10 anos, que realiza acompanhamento multidisciplinar para manter a qualidade de vida. Foto: Divulgação/Daniel Oliveira/SES-AM

No Dia do Orgulho Autista, neste sábado (18/6), a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) celebra a neurodiversidade e as características únicas que as pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresentam, contando a história de Pablo Richard, de 10 anos, diagnosticado com autismo, a partir do relato da mãe e agente de endemias, Joice Santos.

Joice recorda o período em que o filho começou a apresentar as primeiras características do TEA e dos desafios encontrados até conseguir o diagnóstico. Pablo é paciente do Centro de Atenção Integral à Criança (Caic) Dr. José Contente, unidade da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM).

“Quando o meu filho tinha dois anos de idade, eu percebi que ele começou a andar nas pontas dos pés, bater a mão constantemente, não dormia direito e também não falava. Comecei a procurar ajuda médica, só que o diagnóstico não veio tão fácil. No início os médicos diziam que era ansiedade minha por querer que ele falasse logo e muitas pessoas achavam que eu não educava meu filho porque ele chorava muito, o que me doía muito”, lembra.

Diante da falta de diagnóstico, Joice começou a pesquisar sobre o que poderiam ser os sinais que o filho apresentava e as respostas sempre levavam ao autismo. Munida de informação, ela buscou, novamente, acompanhamento médico e Pablo foi encaminhado para o atendimento em neuropediatra.

“Foi daí que começou a nossa trajetória. Primeiro a negação de não acreditar que dentre tantas crianças no mundo eu fui sorteada com o meu filho único. Passada essa fase, fui em busca dos acompanhamentos necessários para garantir qualidade de vida e aprender como lidar com meu filho, saber o que fazer quando ele estiver chorando ou precisando da minha atenção”, afirma.

Joice reforça ainda que nem todo autista é igual e que não existe fórmula pronta para lidar com eles. “Para um serve uma coisa, para outro não. É muito peculiar de cada criança porque uns falam, outros não, uns têm interação social, outros não. É muito de cada um”.

Foto: Divulgação/Daniel Oliveira/SES-AM

Dia a dia

Pablo realiza acompanhamento multidisciplinar com fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicóloga, neuropediatra entre outros especialistas para manter uma qualidade de vida equilibrada. De acordo com a mãe, Pablo já interage com as demais crianças da escola, é mais participativo nas aulas, já consegue se expressar melhor e verbalizar algumas palavras.

“Outro dia fui pegar ele na escola e um coleguinha fez questão de ir levar ele até o portão para dar ‘tchau’. Essas pequenas conquistas, de ver meu filho interagindo e sendo acolhido pelas outras crianças me enchem de orgulho como mãe de um autista”, comemora.

Além do ambiente escolar, Pablo frequenta aulas de natação e atividade funcional para desenvolver a mobilidade física e terapias ocupacionais. Em casa ele dedica parte do tempo a fazer esculturas com massa de modelar.

Rede de apoio

A participação da família no cuidado com o autista é fundamental para o desenvolvimento da criança, destacou a agente de endemias. “Há 10 anos o autismo era desconhecido para mim e minha família foi mergulhar nesse assunto junto comigo para me ajudar a entender e auxiliar o meu filho. Graças a Deus eu tive a dádiva de ter essa família acolhedora que me apoiou nesse desafio”, conta.

O Caic Dr. José Contente possui um grupo de ajuda mútua aos familiares de crianças com TEA atendidos na unidade, com encontros quinzenais. Joice é uma das mães que participam do grupo que tem como objetivo orientar e acolher os familiares de crianças com autismo ou que buscam o diagnóstico do transtorno.

Data

O objetivo do Dia do Orgulho Autista é mudar a visão negativa quanto ao autismo, de doença para diferença. A data também serve para difundir a ideia de que as pessoas com autismo não são doentes, possuem algumas características próprias que lhes trazem desafios e recompensas únicas.

“Eu me orgulho de ter um filho que desde criancinha já passou por muitos desafios e segue vencendo”, comenta Joice.

Assistência

O atendimento inicial na rede pública de saúde deve ser iniciado em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), de responsabilidade das prefeituras. Após a primeira avaliação médica, o paciente será encaminhado, via Sistema Nacional de Regulação (Sisreg), para as especialidades essenciais para o diagnóstico do TEA.

Veja mais notícias em Cidade

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.