
EXCLUSIVO Traficante temido na área do Javari (foto) está saindo do foco da polícia, na investigação dos autores das mortes de jornalista e indigenista
A investigação policial na região do Vale do Javari está muito próxima de descartar o acusado de tráfico Rubens Villar Coelho, o Colômbia. Ele chegou a ser considerado principal suspeito de ordenar a morte do indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips. “O momento aponta mais para a pesca ilegal, como motivação”, disse uma fonte do portal, no Alto Solimões.
Bruno Pereira encaminhou às autoridades diversas denúncias de que pescadores invadem a Terra Indígena do Vale do Javari. Eles entram em áreas de manejo de espécimes raras, como o pirarucu, e dizimam cardumes. A flexibilidade da legislação na Colômbia e no Peru, países fronteiriços, permite que esse pescado seja vendido facilmente.
A indústria do pescado no Javari fatura alto. A polícia suspeita de grupos que serviriam de fachada para o narcotráfico. São eles os mais afetados pela constante vigilância de Bruno Pereira e outros defensores da causa indígena. A presença policial inibe a atividade ilegal.
Os assassinatos, no entanto, caso a pesca ilegal tenha mesmo sido a motivação, acabou se tornando um tiro pela culatra. As mortes atraíram atenção internacional e a presença policial se intensificou. Tudo indica que o reforço na segurança ainda ficará um bom tempo na área.
Osney da Costa confessou os assassinatos. Disse que matou as duas vítimas com Amarildo dos Santos. Os dois estão presos.
Um terceiro suspeito de envolvimento foi preso nesta quinta (16/06). Ele foi alvo de mandado de prisão expedido pela Justiça estadual, mas ainda não teve o nome revelado.
Os restos mortais de Bruno e Dom estão em Brasília, para onde foram transladados na quinta (16/06), aguardando perícia legal. Só depois de concluída essa fase é que serão entregues às famílias.
Indigenista e jornalista desapareceram no domingo (05/06). Exército, Marinha, polícias Federal, Civil e Militar, além do Corpo de Bombeiros, participaram das buscas. Mas eles só foram encontrados depois que Osney indicou o local onde estavam enterrados, a três quilômetros da margem do rio e floresta adentro.