Livro da Funarte narra a difusão a ópera no Brasil, desde seus primórdios na era colonial até o século XX

A obra desvenda qual público assistia às óperas, quem as interpretava e como eram os teatros onde havia as apresentações, entre outros assuntos. Foto: Divulgação

O livro “Panorama da ópera no Brasil” conta a história da difusão desse gênero no Brasil, desde seus primórdios na era colonial até o século XX. Com linguagem acessível, voltada para o público não especializado, traz texto e pesquisa do jornalista Cláudio Figueiredo e organização, pesquisa e seleção de imagens da pesquisadora Nubia Melhem Santos. O prefácio é do historiador Paulo Knauss.

A publicação da Fundação Nacional de Artes (Funarte) será lançada na próxima quarta-feira (25), no Rio de Janeiro.

Ao traçar esse panorama, mostrando como o Brasil absorveu e transformou uma forma de arte eminentemente europeia, a publicação desvenda qual público assistia às óperas, quem as interpretava, como eram os teatros onde havia as apresentações e quais a função e o papel simbólico dessas casas de espetáculo nas cidades brasileiras. O leitor vai descobrir o que significava ir ao teatro para assistir a uma ópera no Brasil do século XVIII e do século XIX e o que mudou nos hábitos e nas expectativas das plateias ao longo dos séculos.

O livro traz diversas curiosidades, não se atendo somente aos personagens do mundo do teatro e da música – como Antônio José da Silva (o Judeu), o padre José Maurício, a cantora negra Joaquina Lapinha e os compositores Carlos Gomes e Villa-Lobos. Também apresenta nomes como os do inconfidente Cláudio Manuel da Costa, do pintor Debret, do poeta Gonçalves Dias, além de Pedro II e Machado de Assis.

Reunindo cerca de 100 imagens – entre fotografias, pinturas e gravuras –, a publicação aborda desde as primeiras encenações públicas nas ruas das cidades até os anos 2000. Entre as imagens, há desde as de personalidades relacionadas à opera, monumentos históricos até as de projetos de cenários e cortinas (panos de boca), como o do Real Theatro de São João (atual Teatro João Caetano, no Centro do Rio de Janeiro), pintado pelo artista francês Jean-Baptiste Debret.

Intencionalmente, os autores escolheram abordar mais a interação desse gênero com outros aspectos da vida brasileira, como arquitetura, urbanismo, costumes, crítica, teatro, jornalismo e política, do que o aspecto musicológico. Desse modo, a obra atenta para aspectos menos conhecidos da história, como a presença marcante dos afrodescendentes brasileiros no mundo musical do Brasil Colônia; a atração de personagens como D. João VI, Pedro I e a princesa Leopoldina pelo universo da ópera; e as disputas apaixonadas entre torcidas em torno de cantoras líricas rivais nos teatros do Brasil do século XIX — um conflito em que divergências musicais se confundiam com rixas políticas.

Cláudio Figueiredo e Nubia Melhem Santos são os autores do livro. Fotos: Divulgação

“Panorama da ópera no Brasil” descortina, ainda, os corais de canto lírico em vilarejos da Amazônia no século XVIII; o ambiente da ópera e da música de Rossini como palco e pano de fundo da efervescência política às vésperas da Independência; a irreverência do humor brasileiro que parodia e subverte as operetas do compositor e violoncelista Jacques Offenbach (precursor do teatro musical moderno) no Rio de Janeiro do século XIX; a estridência das críticas publicadas por romancistas e dramaturgos como José de Alencar e Martins Pena; as primeiras tentativas de criação de uma ópera nacional e o sucesso de Carlos Gomes na Europa; e o luxo e a pompa dos teatros erguidos na Amazônia da belle époque.

Sobre os autores

Cláudio Figueiredo é jornalista e tradutor. Trabalhou no Jornal do Brasil e na TV Globo. É autor de Entre sem bater: a vida de Aparício Torelly, o Barão de Itararé, finalista do Prêmio Jabuti 2012, categoria Biografia. Coautor dos livros O porto e a cidade: O Rio de Janeiro entre 1565 e 1910 (Prêmio Jabuti 2006 na categoria Arquitetura e Urbanismo, Fotografia, Comunicação e Artes) e Theatro Municipal do Rio de Janeiro: um século em cartaz (2011).

Nubia Melhem Santos é pesquisadora e editora com formação em Letras. Publicou, como organizadora e pesquisadora, Era uma vez o Morro do Castelo (2000); Burle Marx: jardins e ecologia (2002); O porto e a cidade: o Rio de Janeiro entre 1565 e 1910 (Prêmio Jabuti 2006 na categoria Arquitetura e Urbanismo, Fotografia, Comunicação e Artes); Theatro Municipal do Rio de Janeiro: um século em cartaz (2011); e Amazônia das palavras (2020). Fez o argumento do filme Marcia Haydée: uma vida pela dança (2019).

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