26/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

TSE responde Forças Armadas: ‘Não há, com o devido respeito, ‘sala escura’ de apuração’

Publicado em 09 de maio, 2022

TSE responde Forças Armadas: ‘Não há, com o devido respeito, ‘sala escura’ de apuração’

Nas respostas encaminhadas às Forças Armadas sobre a segurança do processo eleitoral brasileiro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) diz que não há “sala escura” de apuração dos votos.

A expressão já foi usada por Jair Bolsonaro quando sugeriu que os militares façam uma contagem paralela dos votos.

“Não há, pois, com o devido respeito, ‘sala escura’ de apuração. Os votos digitados na urna eletrônica são votos automaticamente computados e podem ser contabilizados em qualquer lugar, inclusive, em todos os pontos do Brasil”, diz trecho das respostas técnicas.

O presidente do TSE, ministro Edson Fachin, enviou aos integrantes da Comissão de Transparência das Eleições (CTE) um ofício com as respostas a questionamentos feitos pelo Ministério da Defesa sobre o sistema eleitoral. O envio estava previsto para quarta-feira (11), mas foi antecipado para esta segunda-feira (9).

No documento, o tribunal analisa os sete questionamentos dos militares:

  1. Nível de confiança do teste de integridade;
  2. Processo de amostragem aleatório para seleção de urnas que compõem o teste de integridade;
  3. Totalização com redundância pelos TREs;
  4. Fiscalização e auditoria;
  5. Inclusão de urnas do modelo UE2020 no teste público;
  6. Procedimentos normativos para a hipótese de verificação de irregularidade em teste de integridade;
  7. Sugestões para uma possível duplicidade entre abstenção e voto.

O relatório técnico do TSE classificou como “opinião” as avaliações apresentadas pelo representante das Forças Armadas na Comissão de Transparência.

Nas respostas, o tribunal desmente a tese apresentada pelas Forças Armadas de que a totalização dos votos seria feita apenas pelo TSE.

“É impreciso afirmar que os TREs não participam da totalização: muito pelo contrário, os TREs continuam comandando as totalizações em suas respectivas unidades da federação”, afirma o ofício.

Segundo o TSE, o funcionamento de todas as urnas eletrônicas é igual e nunca foi constatada qualquer irregularidade nos testes de integridade anteriores.

Sobre o processo de amostragem aleatório para a seleção de urnas que compõem o teste de integridade, o tribunal respondeu que, a fim de aumentar o engajamento e a participação das entidades fiscalizadoras, optou pela possibilidade de que a escolha das seções eleitorais a serem auditadas nos testes de integridade seja feita pelas próprias entidades fiscalizadoras.

Confira a íntegra das respostas do TSE abaixo ou clicando aqui.

A Corte firma agradecer todas as considerações e contribuições ofertadas.

Processo histórico

O TSE afirma também que “a centralização dos equipamentos que fazem a totalização de votos no TSE é fruto de sugestão da Polícia Federal” e “parte de um processo histórico de evolução que não guarda correlação com as competências dos diversos níveis jurisdicionais no processo de totalização”.

Ainda de acordo com o TSE, peritos da Polícia Federal aconselharam a centralização dos computadores que processam a totalização dos votos “como uma forma de diminuição da superfície de ataque de hackers”.

“Adicionalmente, os computadores centralizados ganharam, pela primeira vez, ambiente redundante que assegura que, em caso de pane em um equipamento, outro possa imediatamente tomar seu lugar.”

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