12/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Comissário brasileiro que usou durante 25 anos o nome de uma criança morta deve ser extraditado dos EUA

Publicado em 21 de abril, 2022

Ricardo César Guedes se declarou culpado das acusações. Foto: Reprodução

O comissário de bordo brasileiro Ricardo César Guedes, 49, foi condenado a um ano de prisão pela Corte Distrital do Sul do Texas. Durante 25 anos, ele viveu nos Estados Unidos fingindo ser norte-americano utilizando o nome William Ericson Ladd, que na verdade era o nome de uma criança que morreu em um acidente de carro, em 1979, antes que completasse cinco anos de idade.

Guedes se declarou culpado das acusações de falsificar a identidade de um cidadão americano e de dar informações falsas ao solicitar um passaporte americano. A decisão judicial foi anunciada nesta quinta-feira (21).

O brasileiro se comprometeu a fazer um tratamento psicológico. Como ele já ficou preso por quase sete meses, agora será libertado e monitorado durante um ano. Após esse período, poderá ser deportado para o Brasil.

Entenda o caso

Ricardo César Guedes foi preso em setembro do ano passado, no Aeroporto Intercontinental George Bush, em Houston, no Texas. As investigações a respeito da sua verdadeira identidade tiveram início cerca de um ano antes, quando se casou com um brasileiro e pediu a alteração do passaporte, para incluir o sobrenome do marido.

Durante 25 anos, Guedes fingiu ser norte-americano e era conhecido como William Ericson Ladd, que na verdade era o nome de uma criança que morreu em um acidente de carro, em 1979, antes que completasse cinco anos de idade. O menino havia nascido em Atlanta, Geórgia.

O número de seguridade social com o nome William Ericson Ladd só foi emitido em 1996, quando Ricardo tinha 22 anos e esse fato chamou a atenção Escritório de Assuntos Consulares do Departamento de Estado, pois esse documento muitas vezes é expedido para bebês.

Guedes é natural de São Paulo, fez cursos de comissário de bordo no Brasil e foi contratado pela United Airlines em 1997. O seu primeiro passaporte americano foi emitido em 1998.

Foi o Escritório de Assuntos Consulares que identificou o verdadeiro William Ericson Ladd, e então tiveram início as investigações. Até a família Ladd foi consultada e disse que nunca havia visto a pessoa que se passava pelo verdadeiro William.

Durante as investigações, um policial disse para Guedes que tinha uma certidão de óbito do verdadeiro Ladd. O brasileiro então invocou seu direito de ficar calado e foi detido. Na casa dele, em Houston, a polícia encontrou duas cópias da certidão de nascimento de Ladd e um cartão com seu nome verdadeiro.

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