24/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

FMI melhora perspectiva de crescimento do Brasil este ano, mas reduz para 2023

Publicado em 19 de abril, 2022

FMI melhora perspectiva de crescimento do Brasil este ano, mas reduz para 2023

O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou a estimativa de crescimento da economia do Brasil neste ano, mas piorou o cenário para o ano que vem, alertando para o impacto da inflação elevada.

Ao atualizar os dados de seu relatório Perspectiva Econômica Global —o primeiro depois da invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro— o FMI passou a ver crescimento do Produto Interno Bruto do Brasil em 2022 de 0,8%, contra 0,3% previsto em janeiro.

Por outro lado, cortou a expectativa para 2023 em 0,2 ponto percentual, projetando uma expansão econômica de 1,4%.

O FMI está bem mais pessimista do que o Ministério da Economia, que projeta que a economia brasileira irá crescer 1,5% este ano, indo a 2,5% em 2023.

Os números do FMI para o Brasil também são bem mais fracos do que aqueles para a América Latina e Caribe, com o crescimento na região estimado pela instituição em 2,5% tanto para este ano quanto no próximo.

Para o grupo de Mercados Emergentes e Economias em Desenvolvimento, as perspectivas do Fundo são de expansão de 3,8% e 4,4% em 2022 e 2023, respectivamente. No relatório de janeiro, essas estimativas estavam em 4,8% e 4,7%.

Inflação

Para o FMI, ainda que a região da América Latina e do Caribe tenha menos conexões diretas com a Europa, que sofre com a guerra na Ucrânia, também deve ser mais afetada por inflação e aperto da política monetária.

“O Brasil respondeu à inflação mais alta elevando os juros em 9,75 pontos percentuais ao longo do último ano, o que pesará sobre a demanda doméstica”, disse o Fundo no relatório, alertando que reduções nas estimativas de crescimento para os Estados Unidos e a China também devem impactar o cenário para os parceiros comerciais desses países na região.

A inflação elevada tornou-se uma grande preocupação no Brasil, onde a taxa em 12 meses superou 11% sob o impacto do aumento dos preços dos combustíveis, na esteira dos ganhos nas cotações do petróleo no mercado internacional em meio a temores de restrição de oferta com a guerra na Ucrânia.

O Banco Central elevou a taxa básica de juros Selic da mínima de 2% para os atuais 11,75%, e mais altas são esperadas com o IPCA acumulando avanço de 11,30% nos 12 meses até março, maior taxa desde outubro de 2003.

O FMI estima inflação de 8,2% no Brasil este ano e de 5,1% em 2023, resultados que ficam bem acima das metas –de 3,50% em 2022 e 3,25% em 2023 medidos pelo IPCA, ambos com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

O Fundo ainda calcula taxa de desemprego no país de 13,7% e 12,9% respectivamente neste ano e no próximo, com déficits na conta corrente de 1,5% e 1,6% do PIB.

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