09/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Barroso indica que não há como TSE deliberar sobre redução de combustíveis

Publicado em 15 de fevereiro, 2022

Barroso indica que não há como TSE deliberar sobre redução de combustíveis

O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) indicou ao governo e à cúpula do Congresso que não há possibilidade de a Corte deliberar sobre a possibilidade de os projetos que reduzem o preço do combustível ferirem a lei eleitoral. Segundo relatos feitos durante o encontro virtual, nesta segunda-feira (14), o magistrado deixou claro que o tribunal não teria como se debruçar sobre o caso específico.

Na reunião, que durou cerca de 40 minutos, os auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (PL) falaram sobre a intenção de apresentar uma consulta formal ao tribunal. Um dos caminhos no TSE é o de nem sequer conhecer a solicitação do governo, uma vez que os ministros só podem analisar teses.

Além de Barroso, participaram do encontro os ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Bruno Bianco (Advocacia-Geral da União), além dos presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Depois das indicações do TSE, os auxiliares de Bolsonaro pretendiam levar o relato do encontro ao presidente. A tendência, no entanto, é a de que a AGU mantenha a decisão de enviar a consulta formal à Justiça Eleitoral. O temor da equipe jurídica do Palácio do Planalto é a de que a redução dos preços dos combustíveis entre no rol de benefícios que podem ferir a legislação eleitoral e, consequentemente, se tornar um empecilho para eventual reeleição de Bolsonaro.

A expectativa do governo era a de que a Corte eleitoral pudesse deliberar sobre a legalidade da medida e, assim, seguir com o debate sobre a redução de combustíveis no Congresso. Agora, diante do cenário apresentado na reunião, auxiliares de Bolsonaro se debruçam sobre o melhor modelo de apresentar a consulta ao TSE, de modo a garantir que a Corte dê alguma resposta —mesmo que em tese.

Na audiência desta segunda-feira, Barroso disse que vai dar ao tema a tramitação o mais célere possível. O ministro lembrou, no entanto, que a consulta precisa ter requisitos processuais previamente examinados. Ou seja, ela só será analisada se não tratar do caso concreto.

Os participantes do Legislativo e do Executivo, segundo relatos, enfatizaram a relevância social da medida. Após a reunião virtual com o TSE, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), marcou uma reunião com líderes do Senado para discutir o texto de um dos projetos que tramita no Congresso. A proposta, que determina um valor fixo para a cobrança do ICMS sobre os combustíveis, está na pauta de votação do plenário desta quarta-feira (16).

Nesse encontro, o relator das propostas, o senador Jean Paul Prates (PT-RN), apresentaria às lideranças a prévia do parecer. Nos bastidores, a previsão é que, caso não haja acordo nesta noite, a proposta deve ser retirada de pauta e a votação deve ser adiada novamente. Inicialmente, o texto seria votado na terça (15).

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