11/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Editora lança no Brasil ‘O beco das ilusões perdidas’, livro adaptado para o cinema por Guillermo del Toro

Publicado em 20 de janeiro, 2022

Versão para o cinema da obra do escritor William Lindsay Gresham estreia no próximo dia 27 e é estrelada pelo ator Bradley Cooper. Fotos: Divulgação

A Editora Planeta lança no Brasil “O beco das ilusões perdidas”, clássico da literatura norte-americana adaptado para o cinema por Guillermo del Toro. O filme, intitulado “O beco do pesadelo”, tem nomes como Cate Blanchett, Bradley Cooper, William Dafoe e Rooney Mara no elenco e data de estreia marcada para 27 de janeiro. A obra, publicada originalmente em 1946, foi escrita por William Lindsay Gresham (1909-1962) durante a Guerra Civil Espanhola.

O escritor, um estudioso tanto da psicanálise quanto do tarô, tinha problemas com bebida, o que eventualmente o levou ao suicídio, e esse é um dos temas centrais da obra. A história trata de um grupo de personagens de um circo de horrores, vaudeville: o “freak” – teoricamente uma criatura selvagem, colocada diante do público para sanar a curiosidade de todos -, o mestre do picadeiro, o homem mais forte do mundo e a mulher capaz de ler mentes são alguns deles. Por meio da história, o leitor mergulha nos bastidores sombrios do negócio enquanto acompanha a decadência de Stan, o protagonista.

O livro nasceu entre o fim de 1938 e o início de 1939, inverno no hemisfério norte, em um povoado próximo a Valencia, onde William Lindsay Gresham, um dos voluntários internacionais que haviam ido defender a república na causa perdida da Guerra Civil Espanhola, aguardava a repatriação. Ele esperava e bebia com Joseph Daniel Halliday, um homem que lhe contou algo que o surpreendeu e assustou: uma atração de parque de diversões itinerante que chamavam de “selvagem”, um bêbado que estava tão no fundo do poço que arrancava, a mordidas, cabeças de galinhas e cobras só para conseguir bebida para encher a cara.

Bill Gresham tinha apenas 29 anos na época. Depois, ele diria: “Aquela história me assombrou. Finalmente, para me livrar dela, fui obrigado a escrevê-la. O romance, baseado nela, pareceu horrorizar tanto os leitores quanto a história original havia me horrorizado”.

Quando voltou da Espanha, segundo o próprio relato, Gresham não estava bem. Envolveu-se profundamente com psicanálise, uma das muitas formas que buscou durante a vida para expulsar seus demônios internos. Enquanto escrevia “O beco das ilusões perdidas”, ele se afastou da psicanálise e ficou fascinado pelo tarô, que descobriu quando mudou o foco de Freud, ao longo da pesquisa para o livro, para o místico russo P. D. Ouspensky (1878-1947). O resultado é um romance sobre a insensatez da fé e a perspicácia daqueles que a propagam, sobre o alcoolismo e o terror destrutivo do delirium tremens e sobre o baralho da fortuna, que atribui seus destinos fatais ao acaso.

Curiosidades

Gresham usou o tarô para estruturar seu livro. O baralho de tarô consiste em 22 cartas de arcanos maiores, das quais 21 são numeradas, e 56 cartas divididas em quatro naipes: paus, copas, espadas e ouros. O baralho é usado há séculos tanto para jogos de azar quanto para leitura da sorte. No caso da leitura, as cartas conhecidas como arcanos maiores são empregadas primariamente e são elas que dão título aos capítulos de “O beco das ilusões perdidas”.

A primeira carta é a do Louco, que não tem número, e a última é a do Mundo. Gresham inicia o livro com o Louco, mas depois embaralha as cartas. Seu baralho termina com o Enforcado.

O termo geek (derivado de geck, palavra em inglês para tolo, idiota ou ingênuo, em uso desde pelo menos o início do século XVI até o XIX) era amplamente desconhecido nesse sentido de “homem animalesco” dos parques de diversões itinerantes, que morde cabeças de galinhas ou cobras vivas, até Gresham introduzi-lo ao público geral em “O beco das ilusões perdidas”. Em novembro de 1947, o popular Nat “King” Cole Trio gravou uma música chamada “The Geek”.

Dezesseis outonos depois da publicação da obra, em setembro de 1962, o corpo de Gresham foi encontrado, após seu suicídio, em um quarto de hotel próximo à Times Square. Ele havia completado 53 anos algumas semanas antes. E estava de posse de cartões de visita que diziam “sem endereço, sem telephone, sem trabalho, sem dinheiro, aposentado”.

Serviço

Título: O beco das ilusões perdidas

Autor: William Lindsay Gresham

Tradução: Flávia Souto Maior

304 páginas; R$ 59,90

Editora: Planeta

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