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Estudos recentes têm indicado por que a variante Ômicron causa sintomas mais leves do que versões anteriores do novo coronavírus. Análises realizadas com camundongos e hamsters em laboratório mostraram que, em muitos casos, as infecções pela Ômicron se limitaram às vias aéreas superiores (nariz, garganta e traqueia) e causaram muito menos danos aos pulmões – nos quais as variantes anteriores frequentemente resultavam em cicatrizes e dificuldade respiratória grave.
Os estudos iniciais com pacientes sugeriram que a tendência da Ômicron era provocar a Covid-19 menos grave que as outras variantes, especialmente em pessoas já vacinadas. Mas essas conclusões eram acompanhadas de muitas ressalvas, como por exemplo, que a maioria das infecções iniciais com nova variante ocorreu entre jovens, que têm probabilidade menor de adoecer gravemente com qualquer versão do coronavírus. E muitos dos casos iniciais envolviam pessoas que já tinham alguma imunidade graças a infecções anteriores ou a serem vacinadas. Não se sabia se a Ômicron também se mostraria menos grave com uma pessoa mais velha e não vacinada.
Na última quarta-feira (29/12), um consórcio de cientistas japoneses e americanos divulgou um relatório sobre hamsters e camundongos infectados com Ômicron ou com uma de várias variantes anteriores. Os infectados com a nova variante apresentaram menos danos pulmonares, haviam perdido menos peso e tinham menos probabilidade de morrer.
A razão por que a Ômicron é mais branda talvez seja uma questão de anatomia. Os cientistas constataram que o nível da variante nos narizes dos hamsters era o mesmo que o dos animais infectados com uma forma anterior do novo coronavírus. Mas o níveis de ômicron presentes nos pulmões eram um décimo ou menos do que com as outras variantes.
Essas descobertas precisarão ser seguidas por estudos posteriores, como experimentos com macacos ou um exame das vias aéreas de pessoas infectadas com a Ômicron. Se os resultados se mantiverem, talvez expliquem por que pessoas infectadas com essa variante parecem ter risco menor de ser hospitalizadas que as infectadas com a delta.
Tais estudos ajudam a explicar por que a Ômicron causa a Covid-19 mais branda, mas ainda não respondem por que a variante é transmitida com tanta eficácia.
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