04/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Segundo semestre de 2021 na Corte Eleitoral foi marcado por importantes decisões

Publicado em 31 de dezembro, 2021

Segundo semestre de 2021 na Corte Eleitoral foi marcado por importantes decisões

O segundo semestre do ano forense de 2021 foi intenso na Corte Eleitoral. Além das milhares de decisões, teses e acórdãos produzidos pelo Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o período marcou a abertura do “Ciclo de Transparência Democrática 2022”, o retorno das sessões presenciais, a aprovação e publicação das resoluções que nortearão as eleições do ano que vem e a eleição do próximo presidente do Tribunal.

A Corte Eleitoral iniciou o semestre firmando o entendimento de que a divulgação de pré-candidatura a cargo eletivo mediante publicação impulsionada no Instagram não configura propaganda eleitoral antecipada irregular. O Colegiado entendeu que, ao alterar a legislação eleitoral a partir do pleito de 2016, o legislador prestigiou o amplo debate de ideias no período também de pré-campanha, possibilitando a divulgação de candidaturas desde que não que haja pedido explícito de votos e nenhuma menção à candidatura.

Ainda em agosto, o Plenário regulamentou a coleta de apoiamentos digitais para a criação de partidos políticos. A norma estabeleceu o uso de assinaturas eletrônicas por meio da certificação pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil). Posteriormente, também será possível gerar no aplicativo e-Título um código próprio para atender a esse mesmo objetivo.

Rachadinha

Em setembro, o Colegiado definiu que a prática de “rachadinha” – a apropriação de parte do salário de servidores pelos políticos que os nomearam – configura enriquecimento ilícito e dano ao patrimônio público.  O Plenário cassou o registro de uma candidata a vereadora e a tornou inelegível pelo prazo de oito anos por ter obrigado funcionários comissionados a entregarem a ela parte da remuneração que recebiam, sob pena de exoneração.

Por meio da Portaria TSE nº 578/2021, publicada no dia 9 de setembro, o TSE instituiu a Comissão de Transparência das Eleições (CTE) e o Observatório de Transparência das Eleições (OTE), com o objetivo de ampliar a publicidade de todas as etapas do processo eleitoral e aumentar o conhecimento público sobre o sistema brasileiro de votação. Os grupos reúnem especialistas, representantes da sociedade civil, organizações e instituições públicas e privadas para acompanhar e fiscalizar o processo de organização do pleito de 2022.

Retorno das sessões presenciais

Outubro marcou o retorno dos julgamentos presenciais na Corte Eleitoral, após 18 meses de trabalho remoto por conta das restrições adotadas em razão da pandemia de Covid-19, período em que as sessões foram realizadas por videoconferência. A volta das sessões no formato presencial só foi possível porque todos os magistrados do Tribunal completaram o ciclo de vacinação contra o novo coronavírus.

Ainda em outubro, o Colegiado decidiu que gravações ambientais em locais privados sem prévia autorização judicial não podem ser utilizadas como prova de crimes eleitorais cometidos nas Eleições 2016. A Corte entendeu que tais gravações representam uma afronta à garantia fundamental da intimidade e constituem ameaça à própria estabilidade do Estado Democrático de Direito.

Em decisão apertada (4 a 3) no mês de novembro, o Plenário do TSE decretou a perda do mandato do deputado federal Evandro Roman (Patriota-PR) por não ter apresentado a devida justa causa para se desfiliar do Partido Social Democrático (PSD). O Colegiado reiterou que carta de anuência concedida pelo partido não é fundamento suficiente para legitimar a desfiliação partidária. Para sair da legenda, o parlamentar se baseou apenas nesse documento da sigla permitindo o desligamento.

Teto de gastos de campanha

Em resposta à consulta formulada pela deputada federal Adriana Miguel Ventura (Novo-SP), o Plenário do TSE decidiu que, inexistindo lei específica que disponha sobre o teto de gastos de campanha para as Eleições 2022, o Tribunal poderá dispor a respeito do tema mediante ato regulamentar. A parlamentar questionou, entre outros itens, como ficaria a definição do teto de gastos para o pleito do ano que vem, tendo em vista que o Congresso Nacional não se pronunciou sobre o assunto dentro do prazo estabelecido pelo princípio da anualidade.

Resoluções de 2022

A Corte Eleitoral encerrou o ano com todas as resoluções que disciplinarão as Eleições 2022 aprovadas pelo Plenário. As normas sinalizam a candidatos, partidos políticos e eleitores as condutas permitidas e vedadas nas eleições gerais do ano que vem, bem como trazem os principais prazos que devem ser seguidos pelos concorrentes.

As resoluções aprovadas tratam de temas como: a formação de federações partidárias; arrecadação, gastos e prestação de contas nas eleições; Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC); propaganda eleitoral e horário gratuito; pesquisas eleitorais; fiscalização e auditoria do sistema eletrônico de votação; registro de candidatura; direito de resposta; calendário eleitoral; e totalização e proclamação dos resultados.

O TSE também regulamentou a atuação das Missões de Observação Eleitoral Nacional e Internacional nas Eleições 2022. A resolução traz diretrizes e procedimentos para o acompanhamento e a avaliação das eleições periódicas, eleições suplementares e consultas populares de caráter nacional, estadual e municipal, que sejam realizadas de forma independente.

Eleição do próximo presidente

Fechando o Ano Judiciário de 2021, o Colegiado elegeu os próximos presidente e vice-presidente da Corte Eleitoral. Os ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes, respectivamente, serão empossados após o término do mandato do ministro Luís Roberto Barroso na Presidência do Tribunal, em fevereiro de 2022. Fachin comandará o TSE até 17 de agosto do ano que vem, quando concluirá o segundo biênio como membro titular da Corte Eleitoral.

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