
Tuíte engana ao dizer que vacina da Pfizer tem partículas contaminantes
Um grupo do Telegram voltado a pessoas contrárias à vacinação republicou uma sequência de tuítes feita por um suposto médico norte-americano. A publicação enganosa diz que há micropartículas contaminantes dentro de imunizante desenvolvido pela Pfizer contra a covid-19 e gerou especulações de internautas sobre as vacinas serem criadas para prejudicar a humanidade.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Pfizer e um cientista consultado pela reportagem apontam que as informações checadas não procedem, uma vez que as vacinas passam por três etapas de testagem, que avaliam a pureza, a eficácia e a segurança delas. O órgão de vigilância sanitária afirmou ainda que, na análise do imunizante, não constatou nenhum resíduo com potencial de impacto tóxico ou genético.
O Comprova tentou contatar o autor da postagem, mas as redes sociais do suposto médico John B. não permitem o envio de mensagens. A reportagem também não localizou qualquer indício de que o perfil seja, de fato, de um especialista norte-americano e a origem real das amostras que são apresentadas como sendo da vacina da Pfizer.
Enganoso, para o Comprova, é todo conteúdo retirado do contexto original e usado em outro, de modo que seu significado sofra alterações.
Foram realizadas buscas na internet para conseguir mais informações sobre quem é o suposto médico norte-americano John B. O primeiro resultado que aparece redireciona a busca para o Twitter do perfil que compartilhou as informações com críticas à composição da vacina desenvolvida pela Pfizer.
Com a falta de resultados capazes de mostrar a formação e mais detalhes sobre a carreira e pesquisa de John B., a reportagem realizou uma busca reversa da imagem do perfil no Twitter para localizar outras redes sociais do suposto médico, mas também não encontrou registros além da conta do Twitter e do Telegram — que também não traz detalhes.
Pela falta de registros, a reportagem suspeitou que o perfil pudesse ser falso. Utilizamos duas ferramentas de checagem para nos aproximarmos de respostas sobre quem estaria por trás do gerenciamento da conta: o Pegabot e o Botometer. Ambos foram desenvolvidos para identificar contas automatizadas no Twitter, também conhecidas como ‘bots’, ou ‘robôs’.
As plataformas indicaram que há mais de 51% de chance do Twitter ser gerido por um terceiro, que não seria médico, tampouco cientista.
O Comprova tentou contactar o suposto médico via Twitter, mas o perfil de Dr. John B. recusa automaticamente o recebimento de mensagens.
Junto à Pfizer, o Comprova quis saber se as imagens analisadas em microscópio eram verdadeiras. Também contactamos a Anvisa para identificar se havia algum registro de denúncia ou pesquisa capaz de colocar em dúvida a pureza do imunizante ComiRNAty — nome que a Pfizer deu à vacina contra a covid-19.
Também consultamos o site da OMS (Organização Mundial da Saúde) para levantar informações oficiais sobre os processos de aprovação e produção de vacinas, além de consultar o virologista e professor da UnB (Universidade de Brasília) Bergmann Ribeiro para conferir a veracidade das imagens.
O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 15 de outubro de 2021.