17/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Tuíte engana ao dizer que vacina da Pfizer tem partículas contaminantes

Publicado em 15 de outubro, 2021

Tuíte engana ao dizer que vacina da Pfizer tem partículas contaminantes

Um grupo do Telegram voltado a pessoas contrárias à vacinação republicou uma sequência de tuítes feita por um suposto médico norte-americano. A publicação enganosa diz que há micropartículas contaminantes dentro de imunizante desenvolvido pela Pfizer contra a covid-19 e gerou especulações de internautas sobre as vacinas serem criadas para prejudicar a humanidade.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Pfizer e um cientista consultado pela reportagem apontam que as informações checadas não procedem, uma vez que as vacinas passam por três etapas de testagem, que avaliam a pureza, a eficácia e a segurança delas. O órgão de vigilância sanitária afirmou ainda que, na análise do imunizante, não constatou nenhum resíduo com potencial de impacto tóxico ou genético.

O Comprova tentou contatar o autor da postagem, mas as redes sociais do suposto médico John B. não permitem o envio de mensagens. A reportagem também não localizou qualquer indício de que o perfil seja, de fato, de um especialista norte-americano e a origem real das amostras que são apresentadas como sendo da vacina da Pfizer.

Tuíte

Enganoso, para o Comprova, é todo conteúdo retirado do contexto original e usado em outro, de modo que seu significado sofra alterações.

Foram realizadas buscas na internet para conseguir mais informações sobre quem é o suposto médico norte-americano John B. O primeiro resultado que aparece redireciona a busca para o Twitter do perfil que compartilhou as informações com críticas à composição da vacina desenvolvida pela Pfizer.

Com a falta de resultados capazes de mostrar a formação e mais detalhes sobre a carreira e pesquisa de John B., a reportagem realizou uma busca reversa da imagem do perfil no Twitter para localizar outras redes sociais do suposto médico, mas também não encontrou registros além da conta do Twitter e do Telegram — que também não traz detalhes.

Pela falta de registros, a reportagem suspeitou que o perfil pudesse ser falso. Utilizamos duas ferramentas de checagem para nos aproximarmos de respostas sobre quem estaria por trás do gerenciamento da conta: o Pegabot e o Botometer. Ambos foram desenvolvidos para identificar contas automatizadas no Twitter, também conhecidas como ‘bots’, ou ‘robôs’.

As plataformas indicaram que há mais de 51% de chance do Twitter ser gerido por um terceiro, que não seria médico, tampouco cientista.

Médico

O Comprova tentou contactar o suposto médico via Twitter, mas o perfil de Dr. John B. recusa automaticamente o recebimento de mensagens.

Junto à Pfizer, o Comprova quis saber se as imagens analisadas em microscópio eram verdadeiras. Também contactamos a Anvisa para identificar se havia algum registro de denúncia ou pesquisa capaz de colocar em dúvida a pureza do imunizante ComiRNAty — nome que a Pfizer deu à vacina contra a covid-19.

Também consultamos o site da OMS (Organização Mundial da Saúde) para levantar informações oficiais sobre os processos de aprovação e produção de vacinas, além de consultar o virologista e professor da UnB (Universidade de Brasília) Bergmann Ribeiro para conferir a veracidade das imagens.

O Comprova fez esta verificação baseado em informações científicas e dados oficiais sobre o novo coronavírus e a covid-19 disponíveis no dia 15 de outubro de 2021.

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