
Na missa, Bolsonaro usou máscara de proteção durante a maior parte do tempo, ao contrário de vários outros compromissos públicos quando dispensou o item. Foto: Divulgação
Na tarde desta terça-feira (12), o presidente Jair Bolsonaro visitou o Santuário Nacional Aparecida (localizado a 180 km de São Paulo). Ele foi recebido com aplausos e vaias e ouviu um sermão repleto de referências à situação atual do Brasil, incluindo desemprego e a pandemia da Covid-19.
Ao chegar de helicóptero, pouco antes das 14h, parte do público o aplaudiu, aos gritos de “mito, mito”, e a outra parte reservou vaias e gritos de “fora, Bolsonaro”. Esta é a segunda vez que o presidente participa de uma celebração em Aparecida. A primeira foi em 2019, e ele foi o primeiro presidente a ir ao santuário no dia 12 de outubro. Durante a missa, Bolsonaro fez a primeira leitura, a liturgia da palavra.
Na missa da manhã, o arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes fez críticas à direita, que chamou de violenta e injusta. Na celebração da tarde, com a presença de Bolsonaro, o arcebispo adaptou seu discurso e criticou os “dragões das ideologias” à direita e à esquerda.
Dom Orlando Brandes criticou o que chamou de “criança-fuzil”. Na última quinta-feira (30), em evento em Belo Horizonte com a presença do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), Bolsonaro recebeu no palco uma criança de seis anos que empunhava uma arma de brinquedo. O presidente simulou que atirava para cima e carregou a criança sobre os ombros.
“Pátria amada não é transformar crianças inocentes em crianças-fuzil. Pátria amada não é transformar a criança em consumista. As crianças precisam de outras armas, da oração, da obediência, da convivência com seus irmãos”, disse Don Brandes.
O religioso também fez alerta sobre o discurso de ódio e as notícias falsas. “Para ser pátria amada, [é preciso ser] uma República sem mentiras e sem fake news, sem corrupção. É pátria amada com fraternidade. Todos os irmãos construindo a grande família brasileira”, afirmou.
Durante a missa à tarde, Bolsonaro se manteve de máscara a maior parte do tempo, mas tirou na hora da liturgia. Em dado momento, foi convidado pelo arcebispo dom Orlando Brandes a fazer a consagração da imagem de Aparecida, que estava no centro do altar. O presidente já se declarou católico, mas politicamente é mais próximo de lideranças evangélicas.

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Ainda na presença de Bolsonaro, o padre José Ulisses, diretor da Academia Marial de Aparecida, fez um discurso com referências à atual situação do Brasil. “Você que está aqui hoje, neste 12 de outubro de 2021, pode agradecer por estarmos aqui, vivos. Ela [Nossa Senhora] enxuga as lágrimas de muitas famílias. Muita gente morreu, mas hoje é o momento de olhar a imagem da nossa Mãe e dizer obrigada.”
O padre seguiu seu discurso dirigindo-se aos familiares das mais de 600 mil vítimas da Covid-19 no país. Ao longo da pandemia da Covid-19, Bolsonaro minimizou as consequências da doença em diversas declarações.
Padre Ulisses ainda abençoou todos os agentes de saúde “que se desdobraram para dar seu melhor nesses tempos difíceis.” “Há várias mesas vazias, desemprego. Mas Nossa Senhora está aqui hoje para repartir o bolo do seu aniversário, sem distinção. Somos o povo de Deus. E a maior dignidade que temos deve prevalecer ao povo de Deus. Só assim poderemos construir um país e, assim, sonhar com a paz e a justiça.”
Os “bem aventurados” que promovem a paz também foram lembrados pelo padre. “Que haja mais desarmamento, mais felicidade e mais humanidade”, disse ele, com olhar na direção de Bolsonaro e de seus ministros. “Que a vida, esse presente de Deus, seja algo a ser defendido antes de qualquer projeto de sociedade. O dragão da pandemia assolou nosso país, assim como da ganância, para que uns tenham uma vida de luxo. Esses dragões devem ser vencidos.”
Após o fim da missa, Bolsonaro foi embora sem falar com a imprensa.