
Projeto de autoria do vereador Amon, a biblioteca virtual terá o nome do professor Francisco Calheiros (foto), que faleceu em 2019. Foto: Reprodução Facebook
O Projeto de Lei (PL) que cria a “Biblioteca Pública Virtual de Manaus Francisco Calheiros” foi aprovado por unanimidade pelo plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM) nesta segunda-feira (20/9). A lei de autoria do vereador Amom Mandel (sem partido) estabelece que o Poder Executivo Municipal disponibilize na rede mundial de computadores obras físicas de escritores locais e nacionais. “Além de uma justa homenagem ao grande professor Calheiros, a biblioteca vai permitir que todo o mundo, através da internet, consulte as obras dos nossos escritores e poetas. Ganha Manaus, ganha a educação, ganha a cultura”, comemorou o autor do PL, vereador Amom Mandel.
Pedro Calheiros, filho do homenageado, comemorou a aprovação do projeto nas redes sociais. “Estou muito feliz. É uma forma de manter o legado dele para a história da nossa cidade”, disse Pedro.
Promulgado, agora o projeto segue para sanção do prefeito de Manaus. Cabe a prefeitura da cidade colocar em prática o que determina a nova lei.
Francisco (Soares) Calheiros nasceu em Itacoatiara, no dia 29 de novembro de 1968. Filho de Maria de Nazaré Soares Calheiros. Não conheceu pai, que se recusou a assumir a paternidade da criança.
Para o jovem Francisco, ficar em Itacoatiara era não realizar seu maior sonho: ser médico. Foi então que em 1986 passou a morar em Manaus, onde concluiu o ensino técnico em contabilidade no tradicional Colégio Sólon de Lucena. A experiência foi traumática. Sem ter onde morar, passou a viver de favor na casa de um tio, cuja esposa tratava o jovem escritor com indiferença, humilhando-o e desrespeitando-o na sua condição de menino pobre vindo do interior. Sem nenhum recurso financeiro e vivendo de “bico”, ia para o colégio a pé, percorrendo os quase dez quilômetros que separam a escola do centro da cidade, nas proximidades onde morava. Pensou várias vezes em desistir, mas a determinação foi mais forte, superou a pobreza e todos os obstáculos que o provocavam a parar e voltar ao interior. Influenciado por Thiago de Mello, não se inscreveu no vestibular para Medicina, com grandes possibilidades de ser aprovado. Licenciatura Plena em Letras foi o curso escolhido. Aprovado no vestibular para o curso de Letras da UA, atual Universidade Federal do Amazonas, iniciou o curso em 1988, graduando-se em 1993.
No 4º período do Curso de Letras, passa a ser professor contratado da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), no Colégio Antenor Sarmento Pessoa. Já formado, é aprovado em concurso público para a mesma secretaria e exerce o magistério em várias escolas da rede pública de ensino, como o Instituto de Educação do Amazonas, Colégio Benjamim Constant, Castelo Branco, Padre Pedro Gisland, Valdomiro Peres Lustosa, Elda Bitton Telles da Rocha. Trabalhou em várias escolas e faculdades particulares de Manaus. Tornou-se muito conhecido como professor de cursos pré-vestibulares e ministrou aulas de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira no antigo Curso Camões, Castro Alves, Objetivo, Padrão. Antes de nos deixar, exercia o magistério no Curso Equipol, Curso Evolução e pertencia ao quadro docente do Centro Educacional Adalberto Valle.
Insatisfeito com o magistério, ingressa na Faculdade de Direito, mas nunca conseguiu abandonar as salas de aula por inteiro, assumindo as duas profissões até o fim de sua vida. Como advogado, venceu o caso da pequena Isadora Thury (portadora de AME), obrigando a União a custear o remédio de R$12 milhões de reais.
Francisco Calheiros já publicou os seguintes livros: Provável Poesia (1996), Canções de Novembro e algumas preces (2007) e Quadro Negro (2012). Francisco Calheiros é considerado por muitos como um dos grandes poetas que o Amazonas já teve. O escritor deixou a vida para entrar na história quando não resistiu a complicações de covid-19 em novembro de 2020, após ficar internado em hospital de Manaus.
Foram aprovados, nesta segunda-feira (20/9), seis Projetos de Lei que seguiram para sanção da Prefeitura de Manaus. As matérias se juntam a outras 24 analisadas durante a pauta da reunião ordinária na Câmara Municipal que ainda contou com duas promulgações.
Dentre os projetos aprovados está o do vereador William Alemão (Cidadania) que cria o Brechó Solidário, que consiste no recolhimento de sobras de construção, demolição e reforma de prédios, estabelecimentos comerciais e residenciais, cujos proprietários manifestem o desejo de doar para atendimento às famílias de baixa renda.
Ainda foram aprovados os projetos do vereador Jaildo Oliveira que cria a ‘Semana da Economia de Luz’, a ser realizada na última semana do mês de maio, com o objetivo de conscientizar a população e incentivar a economia de energia elétrica, e o de autoria do vereador professor Samuel (PL), que cria o Prêmio “Mulher Cidadã”, pelo qual serão homenageadas mulheres que tenham se destacado profissionalmente na cidade.
Dentre as promulgações estão duas concessões de homenagens a personalidades que contribuíram com o desenvolvimento da cidade. Uma concede a Medalha de Ouro Cidade de Manaus, a Fábio Pacheco da Silva, Coronel da Policia Militar do Amazonas, e a outra concede o Diploma de Cidadã de Manaus à artista plástica Rosimeire da Conceição Anjos, que representou a cidade em diversos países da Europa, África, América do Sul e do Norte.