
Em sua trajetória, o mestre Barrô chegou a assumir uma cadeira no Conselho Nacional de Cultura como representante do Amazonas. Foto: Divulgação
Considerado um dos grandes mestres do gambá no Amazonas, Waldo Mafra, o mestre Barrô do Gambá, morreu aos 62 anos, nesta quinta-feira (26). O artista foi um dos principais expoentes do Grupo Gambá de Maués e responsável pelo processo de revitalização da cultura gambazeira no Amazonas.
O Gambá de Maués é um complexo sociocultural que agrupa práticas musicais, dança, cantigas, rezas de ladainha e confecção de instrumentos musicais com material orgânico da floresta.
Em sua trajetória, o mestre Barrô chegou a assumir uma cadeira no Conselho Nacional de Cultura como representante do Amazonas e, posteriormente, da região Norte. Mestre de cultura popular, Waldo Mafra também foi gestor cultural, museólogo e pesquisador.
Desde 2017, trabalhava no projeto de pesquisa de doutorado da cantora e pesquisadora Karine Aguiar, sobre a relação entre música, cultura e natureza a partir da manifestação do Gambá de Maués e folguedos juninos. Juntos, publicaram um capítulo de livro sobre o Gambá Elétrico e também um artigo sobre Ecoespiritualidade do Gambá, na Responses in Music to Climate Change Conference, que acontece em outubro na Universidade da Cidade de Nova York, nos Estados Unidos.
O mestre também participou como convidado especial do concerto de gravação do DVD “Jungle Jazz”, de Karine Aguiar, no Teatro Amazonas. O trabalho está previsto para ser lançado em dezembro deste ano.
Em junho e agosto, o mestre Barrô realizou um projeto beneficiado pelo Prêmio Feliciano Lana, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, para promover uma série de apresentações virtuais, com o intuito de compartilhar a rede de saberes que compõem a cadeia produtiva do Gambá de Maués.
O mestre Waldo Mafra deixa três filhos e a esposa, a professora Ruth Hatchwell, sua companheira nas pesquisas e no processo de revitalização e salvaguarda da cultura gambazeira.
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