
EXCLUSIVO Covid-19: Robertinho Caminha, o antes e depois dolorido deixado por cirurgia bariátrica seguida de Covid-19
“Sábado (14/08), 6h, estava de pé para levar meus netos pra vacinar. Quem ainda não teve essa doença é bom se cuidar, se vacinar, fazer tudo o que estão recomendando”. A afirmação é do empresário Robertinho Caminha, 69 anos, que perdeu 85kg entre uma cirurgia bariátrica e a Covid-19. “Eu pesava 165kg, perdi 45kg depois da bariátrica e ainda estava me recuperando quando me infectei. Perdi outros 40kg deitado, a maior parte do tempo intubado, na UTI”, conta.
Robertinho é conhecido por ter muitas relações pessoais, entre esportistas, políticos e empresários. É escritor e compositor de samba. Ele é irmão de Patuca Caminha e do falecido Kako Caminha, lenda dos esportes aquáticos do Amazonas.
“Quando soube que estava doente e vi que o Amazonas estava em crise de oxigênio fui para São Paulo. Entrei no hotel, desmaiei e caí, quebrando o nariz, dia 10 de janeiro. Passei 22 dias internado e mais 30 dias sob observação médica. Só saí quando o médico liberou”, revela. “O que eu tomei de oxigênio… Sabe aquelas bombonas (cilindros)? Eu gastava três daqueles por hora. Foi uma guerra violenta”.
O empresário lembra detalhes, como o número da cama (8) e de pacientes que dividiam leitos de UTI (18). “Todos estávamos intubados. Todo dia três, quatro, iam direto para o céu. Em 22 dias perdi 30kg sem levantar da cama, no hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo”, acrescenta.
Depois disso, ele foi para Aracaju, na casa da amiga Cláudia Pio, para se recuperar. “Fui respirar o mais puro oxigênio que o mar pode oferecer. Voltei para Manaus cinco meses depois. Foi como eu melhorei. Não podia fazer fisioterapia e fiquei respirando na beira do mar. Nunca, jamais, imaginei que ficaria tanto tempo fora de Manaus”, constata.
Robertinho ficou impedido até de fazer fisioterapia. “Se faço, preciso ficar uma hora me recuperando. Seis meses depois estou cheio de sequelas. Queriam até colocar marca-passo e ainda não escapei disso. Nunca tive problema de pulmão ou coração e agora tenho tudo isso. Tive pneumonia grave, por Covid-19”, diz.
O escritor lembra dos amigos perdidos na pandemia. “Mário Tadros, Azulay, Hernando, Fernandinho da S. Monteiro, Porfírio Lemos… Eu e Porfírio, com 8 anos, jogamos bola com padre Calleri e Frei Fulgêncio. Crescemos jogando futebol e brigando juntos. Quando a gente não tinha com quem brigar, brigávamos um com o outro (risos)”.
Sábado (14/08), no supermercado Pátio, antigo Roma, Robertinho reencontrou o oftalmologista Arnaldo Russo e o amigo Osvaldo Frota. “O Arnaldo sentiu os sintomas e embarcou com a esposa para São Paulo. Ela não tinha nada, mas, já no avião, passou mal. Os dois sofreram com essa doença. O Osvaldo perdeu 25kg em 20 dias. Nos encontramos e nos abraçamos. Temos que comemorar. Somos sobreviventes. Escapamos em conjunto”, relembra.