
Informações sobre uma investigação da Polícia Federal foram divulgadas por Bolsonaro em suas redes sociais. Foto: Divulgação
Nesta segunda-feira (9), os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) enviaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime contra Jair Bolsonaro. Eles solicitam que o presidente seja investigado por suposta divulgação de um inquérito da Polícia Federal sobre o ataque hacker que o TSE sofreu, em 2018. O deputado federal Filipe Barros (PSL-PR) e o delegado da PF que preside as investigações, cujo nome não foi divulgado, também são alvos da notícia-crime.
Informações sobre a investigação da Polícia Federal foram divulgadas por Bolsonaro em suas redes sociais para tentar justificar suas alegações de que houve fraude nas eleições de 2018. Tais alegações ainda são infundadas.
Os ministros do TSE acreditam que há indícios de que o delegado teria levantado o sigilo de forma indevida e compartilhado as informações com Bolsonaro e Filipe Barros, que é o relator da PEC 135/2019, proposta de emenda à Constituição que institui o voto impresso obrigatório, entre outros temas.
No texto divulgado pelo TSE, os ministros também apontam que pode existir uma correlação entre a divulgação desse inquérito da PF e outro inquérito em que Bolsonaro já é investigado, o das fake news. “A publicação das informações da Justiça Eleitoral encontra-se igualmente vinculada ao contexto de disseminação de notícias fraudulentas acerca do sistema de votação brasileiro, com o intuito de lesar ou expor a perigo de lesão a independência do Poder Judiciário e o Estado de Direito”, afirmam.
O TSE rebateu o presidente, na última semana, sobre o inquérito da PF que apura o ataque hacker ao seu sistema interno, em 2018. Apesar da invasão, disse o tribunal, não houve risco à integridade das eleições realizadas naquele ano. Bolsonaro compartilhou em uma rede social documentos do inquérito que investiga o comprometimento de sistemas do TSE e disse, sem apresentar provas, que “o sistema eleitoral brasileiro foi invadido e, portanto, é violável”.
Desde a adoção da urna eletrônica, as eleições brasileiras nunca foram fraudadas.
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