
Abertura das Olimpíadas aborda pandemia e vê desfile reduzido do Brasil. Fotos: Divulgação
Os primeiros minutos da abertura das Olimpíadas de Tóquio 2020, nesta sexta-feira (23), encerraram o mistério em torno do tom da cerimônia dos Jogos: sóbria e minimalista na maior parte do tempo, com alguns momentos mais animados, e a referência óbvia à pandemia do novo coronavírus.
Com um público formado apenas por autoridades, profissionais e os próprios atletas, o espetáculo não viu a mesma festa que marcou edições anteriores, mantendo um tom mais discreto. Apesar disso, manteve tradições como o desfile dos atletas, o juramento olímpico e o acendimento da pira, adaptados à realidade dos Jogos da Covid.
“Adoraríamos entrar com centenas de pessoas neste estádio. Mas o momento pede precaução. Saúde em primeiro lugar”, publicou o COB em uma rede social, reforçando o comunicado divulgado na quinta, quando a entidade afirmou que a decisão “levaria em consideração a segurança dos atletas brasileiros em cenário de pandemia, minimizando riscos de contaminação e contato próximo, zelando assim pela saúde de todos os integrantes do Time Brasil”.

A cerimônia começou com uma queima de fogos no Estádio Nacional de Tóquio. Foi um rápido momento de excitação, que deu lugar a um clima sóbrio, por vezes até sombrio, com referências claras à pandemia.
Os primeiros 20 minutos do espetáculo apresentaram vídeos com referências aos atletas treinando em casa. Quando o show voltou à apresentação ao vivo no estádio, artistas espalhados pelo palco, utilizando esteiras e outros aparelhos, demonstraram ao vivo a sensação do treino em isolamento, distante do contato com os outros.
A primeira parte ainda contou com um cumprimento entre o imperador do Japão, Naruhito, e o presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional). Na sequência, outro momento sóbrio, com um minuto de silêncio aos mortos no atentado realizado nas Olimpíadas de 1972. O episódio conhecido como Massacre de Munique é a maior tragédia da história dos Jogos.
A segunda parte trouxe uma coreografia mais dinâmica, com muito sapateado e movimento. Referências à cultura local, como a lanterna japonesa, também apareceram na apresentação dos artistas. Em seguida, houve a aparição dos anéis olímpicos.
O tradicional acendimento da pira olímpica encerrou a cerimônia. Entre os últimos carregadores da tocha, estavam um médico, uma enfermeira e uma atleta paralímpica do Japão. A responsável por acender a pira – um segredo guardado a sete chaves em todas as edições dos Jogos – foi a tenista Naomi Osaka, um dos maiores nomes do Japão em Tóquio 2020.

Naquele que foi possivelmente o momentos mais impactante da cerimônia, uma estrutura montada com 1.800 drones formou um globo metros acima do Estádio Nacional. Na sequência, artistas, em vídeo, e um coro infantil, presencialmente, cantaram uma versão de “Imagine”, de John Lennon, que compôs a música junto com a parceira Yoko Ono, que é japonesa.
Delegações tiveram abordagens diferentes
O tradicional desfile dos atletas dos países foi mais rápida que o usual, e consideravelmente reduzida para evitar a presença de grandes grupos. Mesmo assim, algumas equipes apareceram com dezenas de atletas, como os Estados Unidos, Itália, Argentina e o próprio Japão.
A imensa maioria dos atletas desfilou de máscaras, mas países como Tadjiquistão e Quirgistão mostraram membros de sua delegação com o rosto inteiramente descoberto.
O Brasil esteve entre as delegações tentou mostrar alguma animação: Ketleyn Quadros e Bruninho até ensaiaram passos de samba durante a passagem.
