O refluxo gastroesofágico é o retorno involuntário e repetitivo do conteúdo do estômago para o esôfago. Isso acontece em razão de uma disfunção que impede o funcionamento correto do músculo esfíncter esofágico inferior.
Os alimentos mastigados na boca passam pela faringe, pelo esôfago (um tubo que desce pelo tórax na frente da coluna vertebral) e caem no estômago, situado no abdômen. Entre o esôfago e o estômago, existe uma válvula que se abre para dar passagem aos alimentos e se fecha imediatamente para impedir que o suco gástrico penetre no esôfago, pois a mucosa que o reveste não está preparada para receber uma substância tão irritante.
O suco gástrico tem a função de digerir os alimentos e, por isso, possui diferentes enzimas, que fazem dele um líquido muito ácido. Por isso ocorre a sensação de queimação, uma das principais queixas de pacientes com refluxo.
Crianças pequenas podem apresentar episódios de refluxo em virtude da fragilidade dos tecidos existentes na transição entre o estômago e o esôfago. Na maioria dos casos, o problema desaparece espontaneamente.
Segundo o mais recente mapeamento da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), realizado em 2018, mais de 50% dos brasileiros sofrem com refluxo gastroesofágico. Apesar de comum e, relativamente simples, a DRGE merece atenção. Quando não tratada corretamente, a doença do refluxo gastroesofágico pode trazer complicações, como esofagite erosiva, esôfago de Barrett, estenose esofágica e aumentar o risco de câncer de esôfago.
Diagnóstico:O diagnóstico leva em conta os sintomas clínicos. A endoscopia digestiva alta e a pHmetria são exames importantes para estabelecer o diagnóstico definitivo.
O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico. O clínico inclui a administração de medicamentos que diminuem a produção de ácido pelo estômago e melhoram a motilidade do esôfago. Paralelamente, o paciente recebe orientação para perder peso, evitar alimentos e bebidas que agravam o quadro, fracionar a dieta, não se deitar logo após as refeições e praticar exercícios físicos. A cirurgia pode ser realizada de maneira convencional ou por laparoscopia e está indicada nos casos de hérnia de hiato, para os pacientes que não respondem bem ao tratamento clinico ou quando é necessário confeccionar uma válvula antirrefluxo. Ela é sempre um procedimento adequado, quando a repetição do refluxo gastroesofágico provoca esofagite grave, uma vez que a acidez do suco gástrico pode alterar as células do revestimento esofágico e dar origem a tumores malignos.