25/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Refluxo gástrico: conheças as causas, sintomas e tratamento

Publicado em 02 de julho, 2021

Refluxo gástrico: conheças as causas, sintomas e tratamento

O refluxo gastroesofágico é o retorno involuntário e repetitivo do conteúdo do estômago para o esôfago.  Isso acontece em razão de uma disfunção que impede o funcionamento correto do músculo esfíncter esofágico inferior.

Os alimentos mastigados na boca passam pela faringe, pelo esôfago (um tubo que desce pelo tórax na frente da coluna vertebral) e caem no estômago, situado no abdômen. Entre o esôfago e o estômago, existe uma válvula que se abre para dar passagem aos alimentos e se fecha imediatamente para impedir que o suco gástrico penetre no esôfago, pois a mucosa que o reveste não está preparada para receber uma substância tão irritante.

O suco gástrico tem a função de digerir os alimentos e, por isso, possui diferentes enzimas, que fazem dele um líquido muito ácido. Por isso ocorre a sensação de queimação, uma das principais queixas de pacientes com refluxo.

Crianças pequenas podem apresentar episódios de refluxo em virtude da fragilidade dos tecidos existentes na transição entre o estômago e o esôfago. Na maioria dos casos, o problema desaparece espontaneamente.

Segundo o mais recente mapeamento da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), realizado em 2018, mais de 50% dos brasileiros sofrem com refluxo gastroesofágico. Apesar de comum e, relativamente simples, a DRGE merece atenção. Quando não tratada corretamente, a doença do refluxo gastroesofágico pode trazer complicações, como esofagite erosiva, esôfago de Barrett, estenose esofágica e aumentar o risco de câncer de esôfago.

Sintomas:

  • azia ou queimação que se origina na boca do estômago, mas pode atingir a garganta;
  • dor torácica intensa, que pode ser confundida com a dor da angina e do infarto do miocárdio;
  • tosse seca;
  • doenças pulmonares de repetição, como pneumonias, bronquites e asma.
  • Regurgitação – que é quando o suco gástrico retorna para o esôfago, em direção à garganta.
  • Disfagia (dificuldade para engolir);
  • Sensação de globus (“bola na garganta”);
  • Rouquidão;
  • Náusea;
  • Odinofagia (dor ao deglutir);

Causas:

  • alterações no esfíncter que separa o esôfago do estômago e que deveria funcionar como uma válvula para impedir o retorno dos alimentos;
  • hérnia de hiato provocada pelo deslocamento da transição entre o esôfago e o estômago, que se projeta para dentro da cavidade torácica;
  • fragilidade das estruturas musculares existentes na região.

Fatores de risco:

  • obesidade: os episódios de refluxo tendem a diminuir quando a pessoa emagrece;
  • refeições volumosas antes de deitar;
  • aumento da pressão intra-abdominal;
  • ingestão de alimentos como café, chá preto, chá mate, chocolate, molho de tomate, comidas ácidas, bebidas alcoólicas e gasosas.

Diagnóstico:

O diagnóstico leva em conta os sintomas clínicos. A endoscopia digestiva alta e a pHmetria são exames importantes para estabelecer o diagnóstico definitivo.

Tratamento:

O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico. O clínico inclui a administração de medicamentos que diminuem a produção de ácido pelo estômago e melhoram a motilidade do esôfago. Paralelamente, o paciente recebe orientação para perder peso, evitar alimentos e bebidas que agravam o quadro, fracionar a dieta, não se deitar logo após as refeições e praticar exercícios físicos. A cirurgia pode ser realizada de maneira convencional ou por laparoscopia e está indicada nos casos de hérnia de hiato, para os pacientes que não respondem bem ao tratamento clinico ou quando é necessário confeccionar uma válvula antirrefluxo. Ela é sempre um procedimento adequado, quando a repetição do refluxo gastroesofágico provoca esofagite grave, uma vez que a acidez do suco gástrico pode alterar as células do revestimento esofágico e dar origem a tumores malignos.

Recomendações:

  • Não se automedique se tiver episódios repetidos de azia ou queimação. Procure assistência médica para diagnóstico e tratamento adequados;
  • Evite ingerir alimentos gordurosos, muito condimentados e ultraprocessados, pois eles favorecem o retorno do conteúdo gástrico;
  • Reduza o consumo de café, chá preto e chá mate, bebidas alcoólicas e/ou gasosas;
  • Fique longe do cigarro;
  • Procure perder peso;
  • Não use cintos ou roupas apertadas na região do abdome;
  • Distribua os alimentos em pequenas quantidades por várias refeições (café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar);
  • Faça refeições mais leves. Sente-se e coma sem pressa, mastigando bem os alimentos;
  • Aumente a salivação com gomas de mascar ou balas duras. A saliva pode aliviar a dor;
  • Faça a última refeição da noite cerca de duas horas antes de dormir, nunca deite imediatamente após se alimentar;
  • Não ponha o bebê na cama assim que acabar de mamar. Mantenha-o em pé no colo até que elimine o ar que deglutiu durante a amamentação.
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