11/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Clássico da literatura sobre Amazônia, de escritor inglês, é traduzido pela primeira vez

Publicado em 30 de junho, 2021

A obra é produto de uma viagem a trabalho feita pelo escritor e engenheiro inglês Edward Davis Mathews ao canteiro de obra da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Foto: Divulgação

Um clássico sobre a globalização na Amazônia terá sua primeira edição publicada em língua portuguesa pela Editora Valer, neste sábado (3), intitulado “Viagens pelos rios Amazonas e Madeira: Brasil, Bolívia e Peru – 1872-1874”, do escritor e engenheiro inglês Edward Davis Mathews. A tradução ficou por conta do professor Hélio Rocha, da Fundação Universidade de Rondônia (Unir). O lançamento contará ainda com um bate-papo mediado pela coordenadora editorial da Valer, a filósofa Neiza Teixeira, o professor Dante Ribeiro da Fonseca e o tradutor Hélio Rocha, a partir das 10h, no Facebook da editora.

O livro pertence ao gênero literário narrativa de viagem. A obra é produto de uma viagem a trabalho feita por Mathews ao canteiro de obra da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), quando da primeira tentativa de construção dessa ferrovia pela empresa britânica Public Works, entre os anos de 1872-1874.

“Quando da paralisação da obra, os empregados e funcionários da empresa retornam para casa e Mathews, em 24 abril de 1874, em vez de descer o rio Madeira e chegar às cidades de Manaus e Belém, para dali zarpar para a Inglaterra, decidiu subir as cachoeiras do rio Madeira, atravessar a Bolívia e o Peru. De Lima, Mathews zarpa de navio para o Panamá e de lá segue para a sua terra natal”, explicou o tradutor Hélio Rocha.

“Viagens pelos rios Amazonas e Madeira” é um livro que se enquadra nos relatos de viajantes pioneiros, que viram nas regiões desconhecidas um parâmetro para comparar com os seus lugares de origens, neste caso, Brasil, Bolívia e Peru com a Inglaterra, e como um itinerário para os aventureiros que se arriscavam em viagens por ambientes ainda inóspitos e desconhecidos.

O tradutor da obra, professor Hélio Rocha, da Fundação Universidade de Rondônia. Foto: Divulgação

Europa

Ainda segundo o tradutor, a partir das anotações feitas em seus diários de viagem, suas memórias e experiências em terras sul-americanas, recheadas de uma “racionalidade prática” (SAHLINS, 2001), em contraposição à suposta “irracionalidade” dos nativos, em especial os grupos étnicos amazônicos, Mathews escreve e publica o seu relato em 1879 na Europa.

“Mais de um século e meio depois é que tive o prazer de elaborar esse processo tradutório que, apesar de todo esse tempo, acredito ser de grande relevância para os estudos amazônicos em geral. O processo exigiu criatividade, obviamente, assim como viagens por alguns lugares às margens do Madeira, do Beni, Mamoré etc. A ideia era sentir o ambiente, viver aventuras, observar a natureza, as comunidades, em suma, ver de perto o que fosse possível, mesmo mais de um século depois. Além disso, claro, muitas leituras e discussões acerca desse empreendimento literário, que é a tradução”, ressaltou Hélio Rocha, que é amazonense, filho do rio Purus, e professor-pesquisador na Universidade Federal de Rondônia, na cidade de Porto Velho, onde reside desde o Natal de 1993.

Importância

Para o tradutor, o lançamento que a Valer faz de obras sobre a Amazônia tem o valor e uma importância histórico-cultural. “Qualquer estudioso da Amazônia, aqui, na região Norte do Brasil, sabe da importância desse trabalho praticamente artesanal realizado por esse grupo de intelectuais. Portanto, ter uma obra publicada e a realização do lançamento da obra pela Valer é mais que uma honra, é uma possibilidade de ter o reconhecimento de meu trabalho de forma mais ampla nesse Brasil imenso, porque a Valer divulga esse material de várias formas”, disse.

Literatura de Viagens

O professor Dante Ribeiro da Fonseca ressaltou que o livro de Edward Davis Mathews tem uma importância muito grande para a Literatura de Viagens na Amazônia, com ênfase no Rio Madeira, apresentando também uma série de informações sobre a Bolívia nos anos de 1870. Ele testemunhou o fracasso da primeira tentativa de construção da ferrovia.

“Este livro estava disponível até recentemente em inglês, e graças ao trabalho de tradução do professor Hélio Rocha, ele se encontra disponível a todos os estudantes e pesquisadores em língua portuguesa. É um trabalho importante que traz inúmeras informações, que servem a inúmeras áreas de pesquisa, por exemplo, Geografia, História, Antropologia e Sociologia”, explicou.

Dante Fonseca é professor titular do departamento de História da Fundação Universidade Federal de Rondônia, possui doutorado e pós-doutorado pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará. Autor de livros autorais e em parcerias com outros autores, artigos publicados no Brasil e exterior, lançou recentemente a obra do território federal do “Corpóreos Estado de Rondônia”, em parceria com o professor Joao Paulo Viana, e também, com a professora Geralda Angenor, a “Pequena história e lendas das Colônias dos índios Mores da Bolívia”.

Sobre o autor

Edward Davis Mathews é natural de Plymouth, Inglaterra. O pouco que se sabe de sua vida é que era engenheiro e trabalhou na Venezuela e depois na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Serviço

Live de lançamento do livro “Viagens pelos rios Amazonas e Madeira”
Data: 3/7/2021
Horário: 10h (horário de Manaus)
Local: Facebook Editora Valer (facebook.com/editoravaler).

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