09/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Resíduos nossos de cada dia 

Publicado em 03 de junho, 2021

Artigo do auditor fiscal Augusto Bernardo Cecílio

Os gases de efeito estufa são um inimigo oculto, bem próximo de nós e com efeitos nocivos gravíssimos sobre a nossa existência. Lamentavelmente e lentamente, eles vão transformando o Planeta em uma bomba-relógio, num processo avassalador e que, à luz dos acontecimentos atuais, parece irreversível.

O cidadão pode se perguntar: mas o que eu tenho a ver com isso? A resposta é: tudo a ver. Afinal, as atividades industriais e agrícolas, principais responsáveis pelo aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, existem para atender a demanda dos homens. Queima de combustível fóssil, como carvão mineral e petróleo, o desmatamento desenfreado, a geração de energia poluente, o aumento do uso de transportes, a contaminação dos recursos hídricos e o uso indiscriminado de substâncias destruidoras da camada de Ozônio fazem parte da nossa existência, sem que nos demos conta.

Tudo isso gera resíduos (sólidos, líquidos e gasosos) e é com esses resíduos que precisamos estabelecer uma convivência sustentável e pacífica. Nossa principal preocupação deve ser com a destinação correta deles. Atitudes simples como respeitar o horário da passagem do carro da coleta domiciliar municipal na sua rua já fazem a diferença. Separar o lixo orgânico do reciclável e buscar na sua cidade grupos que movimentem uma cadeia econômica/produtiva baseada na reutilização de resíduos é outra atitude primordial.

Mais uma? Devolver produtos ou embalagens ao comerciante/distribuidor, ajudando assim a reduzir o descarte de resíduos, conforme preconiza a Politica Nacional de Resíduos Sólidos, no capítulo que trata sobre logística reversa, exigida dos fabricantes/importadores.

Somente o homem pode fazer algo para reverter ou pelo menos minimizar os efeitos drásticos do processo de aquecimento do Planeta, repensando as relações de consumo, reduzindo a produção de resíduos em casa e no trabalho, adotando comportamentos política  e ambientalmente corretos.

A indústria busca se adaptar às novas realidades, mas é o cidadão quem determina com que intensidade se dará as relações de consumo com os bens duráveis que ela produz. São exemplos práticos disso: os eletrodomésticos com sistemas de refrigeração, que utilizam gases hidroclorofluorcarbonetos (HCFC), os chamados fluídos  frigoríficos, altamente nocivos à camada de Ozônio e que muitas vezes descartamos sem termos a consciência do mal que estamos fazendo.

Produzimos toneladas de lixo eletrônico, além de embalagens tóxicas, materiais como pet, papelão, vidro, alumínio, entre outros que podem ser reaproveitados e/ou reciclados.

Ao poder público cabe estabelecer as regras e cobrar a efetividade de seu cumprimento. Toneladas de resíduos são retiradas das ruas, rios e igarapés diariamente, porque a população acha que o problema não é dela. E esse material vai para os aterros e também se transforma em gás de efeito estufa. Não seria a hora de se aprofundar a mensagem das campanhas?

Manter a cidade limpa é o mesmo que enxugar gelo, uma tarefa quase inútil. A população precisa entender a problemática global e a importância das atitudes sustentáveis para o Planeta. O efeito estufa intensificado pelo homem é resultante da somatória de fatores, muito próximos da nossa realidade, muito mais do que imaginamos.

 

*Auditor fiscal e professor

 

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Autor
Augusto Bernardo Cecílio

* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

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