
Pazuello diz na CPI que governo agiu rápido em Manaus e depõe sem farda aos senadores. Foto: Reprodução
Um dos pontos em investigação pela CPI é o socorro e as medidas de enfrentamento no combate à pandemia durante a fase roxa vivida pelo Amazonas, com recordes de casos e mortes em janeiro deste ano. No dia 14 de janeiro, precisamente, o Estado viveu uma crise humanitária sem precedentes, com falta de oxigênio que deixou o sistema de saúde à beira do colapso.
Relatos e apelos de médicos, enfermeiros, pacientes morrendo, literalmente, sem ar. Este foi o cenário. Nesta quarta-feira (19), está em curso a reunião da CPI da Pandemia para um dos depoimentos mais aguardados: do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. O presidente da comissão, o senador Omar Aziz, deu início à reunião com a leitura do habeas corpus concedido pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski que garante ao general o direito de ficar calado e não produzir provas contra si mesmo.
Pazuello, sem a farda militar, esclarece que senta à mesa da CPI como homem comum. Contou a história familiar e a trajetória até optar por defender o país. Disse que teve experiência em logística na saúde na carreira no Exército, quando foi comandante da 12ª região. Disse ter participado da Operação Acolhida, que recebeu migrantes e refugiados venezuelanos, e de ter sido interventor federal em Roraima. Citou trecho do Hino Nacional “verás que um filho teu não foge à luta” para dizer que não fugiu da CPI e fez elogios ao Exército.
Disse que o colapso com falta de oxigênio em Manaus não era previsível. Falou que a operação em Manaus levou todos os secretários do Ministério da Saúde ao Amazonas e que a falta de oxigênio foi superada em 6 dias. Defendeu que o governo agiu de forma rápida.
Ressaltou ter atuado na transição da gestão dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich na função de secretário-executivo no Ministério da Saúde. O acordado, disse, seria ficar por 90 dias e retornar ao posto no Exército. Com a saída de Teich, assumiu como ministro da Saúde interino e em setembro de 2020 foi efetivado como titular da pasta.
Defendeu que a prática off-label é “sempre para o bem”. O carnaval 2020 foi liberado por desconhecimento, assim como permitir as eleições municipais e festas de fim de ano. Disse que as ações são pactuadas com o Conass e Conasems e que o ministro não decide sozinho.
Informou que em maio de 2020 foi criada a força tarefa para o enfrentamento à covid. Recordou que a OMS recomendou, em meados de 2020, que os países cuidassem da saúde e da economia.Citou ações interministeriais, monitoramento de novas cepas com a Fiocruz e apoio a estados e municípios com operações no exterior.
Disse que nunca investiu-se tanto em saúde quanto em sua gestão. Citou plataformas de auxílio, mas deixou de fora o polêmico aplicativo TrateCov. Considerou um sucesso as campanhas anti-covid e listou número de acessos em peças para internet e inserções na TV e rádio, com 1 campanha por mês.
Garante ter visitado a maioria dos estados e feito apelos para que a população seguisse as medidas de isolamento social. Informa que a estratégia de testagem foi um dos pilares para enfrentar a pandemia. Disse que 23% da população foi testada. Na ação primária, diz que aumentou o número de pessoal e investiu dinheiro para leitos de UTI e equipamentos. Informou que foi feito um cadastro de profissionais da saúde.
Afirmou ter tido contato com todos os fabricantes de vacina “desde cedo”. Falou que acompanhou de perto a produção da Moderna, da Pfizer e da AstraZeneca. Escolheu a tecnologia que pudesse ser transferida para produção nacional. Disse que o país superou a crise internacional de remédios em 2020.
Avaliou que o Brasil é um dos países que mais vacinou no mundo e não tem como ultrapassar EUA, China e Índia, pois detém quase 100% das produções de vacina.
Criticou a decisão do STF que, na avaliação de Pazuello, limitou as competências do governo federal.
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