
Artistas revivem serenata, juntando forças para vencer a crise provocada pela Covid-19, como é o caso do trio Neto Armstrong (guitarra), Carol Martins (canto) e José Jonas Júnior (violino), do Symphoniae
Um cantinho, violão, violino, voz e um recurso cantado em verso e prosa, a serenata. São ingredientes que estão entre recursos dos artistas para vencer a “seca” da pandemia. Com bares fechados, shows proibidos e mercado de trabalho praticamente 100% fechado, eles tiveram que se virar. “Às terças, com o Célio Costa cantando, tocamos na missa do padre Edson (Armindo Azier de Oliveira), na igreja da Belo Horizonte. Fui convidando os amigos da noite e agora tem uma galera pagando penitência comigo lá (risos)”, revela o violonista Neto Armstrong.
Neto integra o trio formado por Carol Martins, solista do Festival Amazonas de Ópera, que tem ainda o violinista, mestre em música, José Jonas Júnior. Eles estavam mergulhados no mercado de casamentos, quando, há mais de um ano, veio a pandemia e o fim das aglomerações. Agora fazem serenatas. De vez em quando acrescentam outros músicos, como a harpista Noemi Melo.

O Symphoniae também acrescenta outros instrumentos, como a harpa de Noemi Melo
Como, porém, equilibrar regras da pandemia e vida moderna, quando as casas foram trocadas pelos herméticos apartamentos? “Estudamos mais quem nos contrata e a ‘surpresa’ acontece nas varandas. A gente faz um roteiro com músicas que marcaram as vidas dos homenageados. Um jantar, na maioria das vezes, completa o cenário. É uma satisfação enorme, para nós e quem nos contrata”, explica Neto.
O “rei da MPB” Kokó Rodrigues, sempre com o afiado teclado de Tiozinho Solano e a percussão de Alcides Pajé, está voltando à noite. “Estamos no Palhoça, às noites de quintas. Só uma vez por mês tocamos na sexta (como neste dia 23/04). O restaurante é muito legal, com comida excelente, e o ambiente totalmente acolhedor. Tem dado certo”, diz Kokó.
No auge da pandemia, ao ver os companheiros da noite passando dificuldades, Kokó não teve dúvidas e recorreu a vaquinhas com os amigos. Foi assim que conseguiu distribuir cestas básicas e pagar contas de água, luz e telefone em atraso. “A gente se virou, enquanto nossas próprias reservas chegavam ao fundo do poço. O artista sofreu, mas a arte não pode parar”, disse.
O Palhoça fica localizado no Santo Agostinho, com entrada pela avenida Coronel Teixeira, em frente à usina da Amazonas Energia. A rua de entrada, para colocar no GPS, é Rio Negro. O restaurante fica na primeira esquina, à esquerda de quem entra.
Neto Armstrong é irmão do violonista e maestro auxiliar da Orquestra de Violões, Neil Armstrong. “Ele me criou desde criança e eu o considero pai. Chamo de pai e será sempre pai”, diz o violonista. O amor dos irmãos é compartilhado também no violão, onde os dois são virtuoses conhecidos do mundo da música amazonense.
Neto se vira como pode. Além das serenatas e da música gospel, na igreja de Belo Horizonte, ele também dá aulas de violão. “Tenho alunos de 10 a 80 anos. Fica bem claro que o mais importante é o amor à música”, destaca.
O “Symphoniae”, nome do trio de Carol, Jonas e Neto, atende pelos telefones (92) 99122-6873, (92) 98450-2315, (92) 99414-4582. Também recebe mensagens no Instagram com @symphoniae_. No Facebook o perfil é @symphoniaeproduçõesmusicais.
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