
Projeto vai vacinar população de uma cidade inteira para entender como vacina pode modificar pandemia. Fotos: Divulgação
Começa no próximo dia 17 de fevereiro (quarta) a imunização da população adulta de Serrana, cidade da Região Metropolitana de Ribeirão Preto, como parte do Projeto S. O Instituto Butantan realiza o estudo em parceria com o Hospital Estadual de Serrana (HE), e apoiada pela Prefeitura Municipal de Serrana.
No dia 6 de fevereiro, foi realizado sorteio para definir a sequência da vacinação. A cidade foi dividida em quatro regiões separadas por cor. A imunização de cada grupo será realizada durante as primeiras quatro semanas correspondentes à primeira dose. É essa vacinação em ondas que permitirá as comparações para o estudo.
Estima-se que cerca de 30 mil pessoas acima de 18 anos serão vacinadas, com exceção de mulheres grávidas ou em amamentação e portadores de doenças graves. A expectativa é de que o estudo seja concluído em dois meses.
Serrana fica a 20 quilômetros de Ribeirão Preto e possui, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 45.844 habitantes. O município tem um programa de vigilância aprimorada de Covid-19, que oferece estrutura para o acompanhamento dos casos, uma das facilidades que justifica a escolha pelo lugar.
O estudo escalonado por conglomerados vai avaliar a eficiência da vacinação no que se refere à transmissão do vírus, redução de carga do sistema de saúde, bem como outros efeitos indiretos da vacinação na economia, na circulação de pessoas e na aceitação da vacinação, por exemplo. O acompanhamento vai permitir mensurar todos esses aspectos em nível populacional, dados que geralmente são apresentados somente após a conclusão do programa de vacinação.

“A ideia é vacinar o maior número de pessoas da população adulta. Nós estamos prevendo uma vacinação que pode chegar a 30 mil pessoas. E, com isso, a gente acompanha a evolução da epidemia. Tem aspectos técnicos que vão permitir fazer cálculos, fazer projeções e calcular se a vacina é capaz de diminuir a transmissão do vírus”, explica o diretor do Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas.
A cidade do Projeto S foi escolhida com base em três critérios: precisaria ser um município pequeno; possuir taxa de infecção elevada para que o efeito de vacinação fosse avaliado mais rapidamente; e estar próximo ou conter um centro de pesquisa. Serrana foi escolhida por reunir os três fatores e ter números elevados de Covid-19 comparados a todos os municípios do entorno.
Foi realizado um mapeamento para obter um entendimento não só geográfico, como também social das áreas de Serrana e analisar o nível de aceitação da vacina. Com a ativação do sistema de vigilância, todos os moradores foram submetidos a um censo e a um processo de georreferenciamento por meio do qual será possível acompanhar o número de casos, exames positivos, internações e consultas médicas – o que permite comparar o resultado de cada região.
A imunização da população serranense poderá ter efeito indireto de proteção em quem não puder, por alguma razão, ser vacinado. Esse é um dos efeitos que o Projeto S pretende estudar.
“É um estudo importante para todos nós. Importante para Serrana, para o estado de São Paulo, para o Brasil e para o mundo. Com base no que vamos aprender aqui, poderemos contar para o restante do mundo qual o efeito de fato da vacinação contra a Covid-19”, afirmou Ricardo Palacios, diretor de estudos clínicos do Butantan.
