
O protocolo a ser aplicado foi repassado por engenheiros clínicos do BID à direção da unidade e às equipes de enfermagem do hospital. Foto: Lucas Silva/Secom/Divulgação
Teve início nesta sexta-feira (5) a aplicação de um protocolo que possibilitará o uso mais direcionado e consciente do oxigênio utilizado pelos pacientes acometidos pela Covid-19. A medida do Governo do Amazonas, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), começou no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto.
O protocolo a ser aplicado foi repassado por engenheiros clínicos do BID à direção da unidade e às equipes de enfermagem do hospital. Os especialistas estão em Manaus realizando um diagnóstico da situação do consumo de oxigênio no Amazonas, e já percorreram dez unidades de saúde, entre grandes hospitais e Serviços de Pronto Atendimento (SPA). A ideia é aprimorar áreas relacionadas ao consumo de oxigênio clínico e reduzir as perdas do insumo.
A técnica, conforme explica o engenheiro clínico do BID, Ricardo Reis, segue o protocolo da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) e é um dos dez itens em forma de recomendação apresentados ao Governo do Estado. “Nós vamos agora viabilizar, com a equipe multiprofissional, uma forma de aplicar esse protocolo em um determinado setor para vermos a adesão e o desfecho clínico do paciente. O protocolo é muito simples. Você oferta o oxigênio dentro de uma prescrição protocolada, e mede-se a oximetria do paciente. Dentro de limites estabelecidos, o paciente melhora ou não melhora, e aí se segue o fluxo do protocolo”, resume o especialista.
O gerente de Urgência e Emergência da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), João Paulo Lima, explica que o 28 de Agosto será o primeiro a ter o protocolo executado, tendo em vista a quantidade de pacientes internados. Ele acredita que a técnica permitirá um melhor diagnóstico clínico dos pacientes, resultando no atendimento contínuo e mais intenso.
“A gente consegue observar melhor de forma contínua esses pacientes em nossas enfermarias, em nossas salas de observação. Com isso vamos melhorar o uso consciente do oxigênio, fazendo com que a enfermagem, a medicina, a fisioterapia da unidade enxerguem a saturação de oxigênio de forma mais plena, mais rápida. Isso faz com que a gente consiga usar o oxigênio de uma forma medicinal e não de forma empírica”, destaca o gerente.

Foto: Lucas Silva/Secom/Divulgação
A médica Luciana Bacelar atua na Sala Rosa do HPS 28 de Agosto, local onde funciona a triagem dos pacientes com Covid-19. Ela explica que a “bússola” dos profissionais do setor para esses casos é a oximetria de pulso, indicando a saturação ou uma possível hipóxia, que é a quantidade insuficiente de oxigênio transportada para os tecidos do corpo.
Ela explica que a oximetria já era um procedimento adotado pelos profissionais de saúde, porém, com a aplicação do protocolo, a medida será aplicada de forma mais rigorosa e assertiva.
“As pessoas acham que quanto mais oxigênio a gente oferecer melhor, e nem sempre esse oxigênio vai ser suficiente para o paciente. Cada caso é um caso, então a gente vai avaliar a gravidade e a necessidade real do paciente”, explicou a médica.