
Em Manaus, taxa de óbitos por Covid por 100 mil habitante é o dobro do Brasil. Foto: Semcom
Ao chegar a 7.560 mortes pela Covid-19, ontem, o Amazonas segue o pior cenário do que o visto na primeira onda da pandemia e como o Estado exemplo de maior gravidade da doença no Brasil. Manaus acumula 5.152 óbitos, o que corresponde a 68,1% do registrado em todo o território desde o dia 24 de março de 2020, quando a cidade teve a primeira morte confirmada pelo novo coronavírus.
No País, até ontem, a taxa média de mortes por 100 mil habitantes estava em 105, enquanto na capital amazonense ela supera o dobro, sendo de 236. No Amazonas a taxa é de 182. O Estado tem 257.606 casos acumulados da doença, enquanto a cidade-metrópole soma 114.348. A taxa de letalidade de complicações do vírus é de 4,51 na capital, e no Estado está 2,93.
Todos os recordes vistos em 2020, em número de casos por dia, de mortes em 24h e internações foram batidos, alguns com números assustadores. Cenas de desespero de equipes médicas em busca de oxigênio no dia 14 de janeiro vão ficar no registro, memória e lembrança de médicos, intensivistas e de todos que perderam, naquela data, alguém para a luta para o vírus ou por falta de O2. E continuamos com maior demanda de oxigênio do que a produção, mas o socorro chega de vários lugares do Brasil, de anônimos, empresas e artistas, por ar e por terra.
A capital amazonense teve sua primeira morte confirmada por Covid no dia 24 de março de 2020, oito dias depois de ter o primeiro caso confirmado. As 1.772 mortes registradas na cidade até ontem correspondem a 34,3% durante toda a pandemia.
Na cidade-metrópole, que sente os efeitos mais devastadores da Covid, o número alto é facilmente percebido no trabalho incansável dos coveiros que seguem abrindo covas, com escavadoras. A terra vermelha faz divisa com a floresta e já quase não resta espaço em um dos maiores cemitério públicos. A segunda onda e seu impacto de tsunami desmente as teorias de imunidade de rebanho propagada há meses, inclusive com artigos científicos. A realidade bate de frente com os números.
