
Recém-nascidos do Amazonas ficam, decide Força Tarefa do Amazonas, formada no Governo Federal. Foto: Divulgação
As 60 crianças prematuras do Amazonas, sob risco nas maternidades por falta de oxigênio, serão mantidas em Manaus. A “Força Tarefa do Amazonas”, criada no Ministério da Saúde (MS), com outros ministérios, tomou a decisão. “Não faltou oxigênio nas maternidades e o transporte neonatal é complicadíssimo”, disse uma pediatra, ouvida pelo portal. Ela não quis se identificar. As crianças seriam transferidas por conta da crise provocada pela nova onda da pandemia de Covid-19.
A médica e presidente da Sociedade Amazonense de Pediatria (Saped), Elena Marta Amaral dos Santos, informou que a prioridade é manter as crianças em Manaus. Ela foi integrada à Força Tarefa esta tarde. “A decisão é mantê-las, e com oxigênio, além de continuar a transferência de adultos”, disse.
Outra amazonense, a pediatra Naiara Melo Fonseca, que trabalha na Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas (SES-AM) e está na Força Tarefa, fez um relato dramático do perigo da transferência para os neonatais. Ela retornará a Manaus no domingo e se juntará ao grupo que cuida, especificamente, do tratamento hospitalar dos 60.
A remoção dos bebês para outros Estados criou nova comoção nacional, depois da provocada pela crise de oxigênio. O governador de São Paulo, João Dória, chegou a anunciar que receberia todas as que precisassem de leitos. Dória é o maior inimigo político do presidente Jair Bolsonaro.
A curiosidade é que, na questão do oxigênio, outro desafeto de Bolsonaro, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, se ofereceu para ajudar o Amazonas.
A crise sem precedentes na saúde do Amazonas tem provocado cenas dramáticas. O oxigênio não chega para todos. Médicos estão indo às redes sociais pedir ajuda para comprar o produto. Há relatos de dramas familiares comoventes ou revoltados, mas todos chocantes.
O diretor do hospital FCecon, médico Gérson Mourão, fechou o pronto-atendimento da unidade e cancelou as cirurgias de ontem (14/01) e hoje para poupar oxigênio. A instituição, que cuida de pacientes com câncer, tem 24 internados precisando de ventilação.
Os prefeitos do interior iniciaram uma corrida por oxigênio. O prefeito de Parintins, Bi Garcia, onde há 90 pacientes Covid-19 internados, comprou uma usina de produção. Ele aumentou a capacidade do hospital de referência em Covid-19, o Jofre Cohen, de 65 leitos para 120, todos dedicados a doentes da pandemia.
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