
FCecon evita mortes na crise hospitalar histórica de Manaus e diretor da instituição, Gérson Mourão (foto) promete repor cirurgias adiadas para poupar oxigênio em mutirão de médicos
O presidente da Fundação Centro de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), médico Gérson Mourão, fechou a noite desta sexta-feira (15/01) com ótima notícia: “Não tivemos morte por falta de oxigênio”. A FCecon, que atende pacientes acometidos de câncer, foi à Justiça para garantir o abastecimento do produto.
“Já que não foi pelo bem, então, fomos pela Justiça em cima da White Martins. Hoje, à tarde, eles foram deixar nove cilindros de oxigênio e de madrugada deixarão mais 15. A possibilidade de o oxigênio terminar meia-noite acabou. Conseguimos controlar, neste momento, a catástrofe iminente que se desenhava”, disse.
O sistema de saúde do Amazonas vive, há dois dias, a maior crise da história. A falta de oxigênio provocou mortes. O Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito para apontar responsabilidades. O País se mobilizou para ajudar Manaus. O Supremo Tribunal Federal (STF) deu 48 horas para o presidente da República, Jair Bolsonaro, apresentar plano consistente de solução da crise.
O diretor da FCecon suspendeu todas as cirurgias eletivas, aquelas marcadas previamente, desde a quinta-feira (14/01). Também o serviço de pronto-atendimento, que recebe pacientes de urgência, foi cancelado. Tudo para preservar oxigênio dos 24 internados no hospital.
“Vamos procurar evitar, ao máximo, o prejuízo nessa história. As cirurgias estão suspensas por 14 a 15 dias. Mas, logo em seguida, todos os médicos se comprometeram a fazer um mutirão para repô-las”, disse o médico.
Gérson Mourão lamentou as mortes que ocorreram em outros hospitais por falta de oxigênio. “Lamentamos muito tudo isso e, graças a Deus, conseguimos nos prevenir e evitar mortes na FCecon”, disse.
A Prefeitura de Manaus registrou, nos cemitérios públicos e particulares da capital, esta sexta, 102 sepultamentos por Covid-19. Os números dos dois últimos dias são catastróficos. E o interior começa a entrar na segunda e mais aterrorizante onda da pandemia de coronavírus.
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