
Manaus e AM são trending topics no Twitter após agravamento de pandemia e clima de guerra nesta quinta. Foto: Bruno Kelly
Após o anúncio da falta de oxigênio em Manaus, o nome da capital e do Amazonas foram parar em primeiro e segundo lugar, respectivamente, no trending do Twitter Brasil, nesta quinta-feira (14).
Com a hashtag ‘Manaus’ há 622k tweets e com o nome do Estado ‘Amazonas’ há 83k de postagens, até a publicação desta matéria. Nas publicações abordavam a questão da falta de oxigênio na cidade e o novo decreto do Governo do Estado, que institui toque de recolher nos municípios.
A alta de infecções pelo novo coronavírus, que colocou o Amazonas na fase roxa e mais crítica até o momento, levou o Estado a anunciar nesta quinta-feira (14) que irá transferir pacientes para outros Estados após esgotar o oxigênio nos hospitais de Manaus. “Estamos consumindo 15 litros de oxigênio por minuto, devido ao contágio muito acelerado”, alertou Franco Duarte, secretário de Atenção Especializada em Saúde do Ministério da Saúde.
Manaus tem recordes de sepultamentos nos últimos quatro dias e o sistema de saúde está à beira do colapso. Há relatos e apelos de médicos, enfermeiros e do presidente do Sindicato dos Médicos no Amazonas (Simeam), Mario Viana.
O Governo do Estado encontrou ajuda em cinco Estados, em face da pandemia, que estão recebendo e acolhendo pacientes enviados pelo Amazonas. A máxima de décadas, segundo a qual o melhor hospital do Estado é o avião, mudou para “o avião agora é o único hospital”.
Algumas unidades de atendimento ficaram sem oxigênio hoje, como o SPA da Redenção. Estão críticas as reservas no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), Hospital de Medicina Tropical, Hospital e Pronto-Socorro Delphina Aziz. Na Zona Sul, o produto duraria apenas mais algumas horas. No Getúlio Vargas, os bombeiros estão dando suporte ao atendimento.
Os governos do Amazonas e Federal lançaram, nesta quinta-feira (14/01), um Plano de Cooperação, com o apoio de outros cinco estados brasileiros, para o transporte aéreo e tratamento, num primeiro momento, de 235 pacientes acometidos pela Covid-19 em Manaus, cujos quadros clínicos são considerados moderados.
A medida, anunciada pelo governador do Amazonas, Wilson Lima, em pronunciamento à frente do Comitê de Resposta Rápida nas redes oficiais do Governo do Estado, foi tomada com base na escassez de oxigênio para suprir a demanda gerada com o aumento de hospitalizações decorrentes da pandemia na rede pública estadual de saúde.
“Estamos no momento mais crítico da pandemia. Algo sem precedentes no estado do Amazonas, em que enfrentamos muitas dificuldades em conseguir insumos. A principal dificuldade atualmente tem sido a aquisição de oxigênio”, destacou o governador do Amazonas, Wilson Lima, durante o pronunciamento, que teve ainda a presença do secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde (MS), coronel Luiz Otávio Franco Duarte, e do secretário de Estado de Saúde, Marcellus Campêlo, entre outros representantes de órgãos estaduais.
Cem pacientes serão transferidos para hospitais da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), no Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Goiás e Distrito Federal, além de mais 100 para a rede estadual de saúde de Goiás.
Além disso, haverá o fechamento de todas as atividades não essenciais, entre o horário de 19h às 6h da manhã, o chamado toque de recolher. A exceção são serviços de saúde, segurança pública e da imprensa, que seguem mantidos. Até mesmo drogarias e farmácias, no horário informado, deverão atender por delivery. “Estamos ampliando as medidas de restrição, visando acima de tudo a proteção da vida das pessoas”, afirmou o governador.
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