
A sessão interrompida pelos manifestantes era destinada a validar a vitória de Joe Biden no Colégio Eleitoral. Foto: Reuters/Leah Millis
Apoiadores do presidente Donald Trump invadiram na tarde desta quarta-feira (6) o prédio do Congresso dos Estados Unidos, rompendo as barricadas de segurança, no momento em que os parlamentares norte-americanos debatiam a certificação da vitória de Joe Biden à Presidência do país. O Senado e a Câmara, que estavam avaliando objeções à vitória do democrata, interromperam o debate de forma abrupta e inesperada.
Imagens registradas por jornalistas norte-americanos e correspondentes brasileiros mostram dezenas de pessoas inicialmente tentando invadir o prédio, e depois de fato nas salas interiores do Capitólio. Segundo informações da GloboNews, uma ala do Capitólio teve de ser evacuada por suspeita de bomba.
A prefeita de Washington, Muriel Bowser, decretou um toque de recolher que impede qualquer circulação de pessoas nas ruas da cidade a partir das 18h no horário local – 20h no horário de Brasília — até às 6h de quinta-feira (7).
Mais cedo, o presidente Donald Trump fez um discurso de cerca de três horas para a multidão na praça do obelisco de Washington. Ao discursar, Trump voltou a dizer que venceu as eleições e voltou a pressionar o vice-presidente Mike Pence a rejeitar os votos dos delegados, algo que ele não tem poder legal para fazer. “Você não cede quando há roubo envolvido”, disse ele. “Nosso país está farto e não vamos aguentar mais”, acrescentou, incentivando uma marcha dos seus apoiadores ao Congresso.
O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, que presidia a sessão conjunta responsável por receber e confirmar os votos dos delegados estaduais nas eleições norte-americanas, publicou nas redes sociais uma carta em que afirma que não há precedentes legais e constitucionais para que ele “aceite ou rejeite os votos unilateralmente.”
“Dada a controvérsia das eleições neste ano, alguns acreditam que, como vice-presidente, é meu papel contestar os votos. Outros acreditam que os votos eleitorais nunca devem ser contestados em uma sessão conjunta do Congresso. Após uma análise cuidadosa da nossa Constituição, nossas leis e nossa história, Acredito que nenhuma das visões está correta”, afirma o documento.
Pence afirmou que é papel dos representantes eleitos (deputados e senadores) revisar e decidir disputas que contestem o resultado eleitoral, e que “nunca na história um vice-presidente usou de tal autoridade [a validação ou invalidação de votos].”
O republicano afirmou ainda que ouvirá as objeções e argumentos de deputados e senadores com diferentes visões sobre o resultado eleitoral, mas que manterá o protocolo previsto pela Constituição norte-americana de abrir e certificar as cédulas eleitorais dos estados.
Com informações da Agência Brasil e Reuters
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