
Rayane Lacerda tornou-se cronista e poetisa após participar de eventos sociais e culturais de hip-hop. Foto: Divulgação
A escritora Rayane Lacerda, de 27 anos, divide a sua vida entre o lado pessoal, sendo mãe de José Heitor, de 6 anos, e de Zion Vicente, de 3, e cursando a faculdade de Ciências Sociais, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam); o lado artístico, atuando nos movimentos literários e de hip-hop em bairros da periferia de Manaus; o lado humanitário, participando de ações sociais; e, ainda, o lado profissional, trabalhando com autofinanciamento em um escritório financeiro, Adelino Consultoria, onde é gerente de vendas.
“Eu consigo dar conta de tudo porque faço uma organização na minha agenda pessoal, de eventos e de trabalho. Além disso, as atividades que eu participo nos movimentos sociais e artísticos têm equipes que trabalham sintonizadas para tudo dar certo, e os meus filhos também vão comigo porque nesses projetos há atividades específicas para crianças, com brincadeiras infantis, rua de lazer, gincanas, rodas de bate-papo e diversas outras ações”, resume Rayane.
Ela conta que é ativista dos movimentos sociais voltados para a cultura hip-hop desde 2011 e que o seu despertar para a arte de escrever aconteceu quando ela participou de um projeto intitulado “Batalha de Poesia Slam”, criado por Halaise Asafe do movimento Marginaletrandos. “Foi a partir desse evento que eu consegui me apresentar e me expressar do jeito que eu queria”, conta a jovem cronista e poetisa.
Paralelamente ao trabalho cultural desenvolvido pelos coletivos, grupos e ações que Rayane participa, são realizadas também atividades humanitárias, como distribuição de sopa e cestas básicas de alimentação, entre outras, além de ações de incentivo à leitura e protagonismo juvenil dos 13 aos 18 anos.
A escritora possui um texto publicado na revista online “Sirrose”, cujo título é “O estupro de Josefina”, que aborda o tema da violência doméstica contra a mulher. E produz um fanzine intitulado “Versos Sujos” sobre poesia erótica, que foi bem recebido por amigos e outros artistas a quem a cronista e poetisa apresentou seu trabalho.
Atualmente, Rayane atua nos projetos culturais da Família Mandala, do MHC – Movimento Hip-Hop Crews e do Arte no Beco. Ela também já se apresentou em alguns eventos culturais realizados em bairros periféricos da cidade, como “Todas São Manas”, “Jaraqui Psicodélico” e “Batalha de Poesia Slam” com os Marginaletrandos. “Todo esse trabalho que os coletivos e movimentos realizam não conta com recurso financeiro ou patrocinadores. Em geral, todos os participantes contribuem e também recebem doações. É dessa forma, totalmente independente, que esses trabalhos são realizados em bairros como Terra Nova, Compensa, Cidade Nova, Riacho Doce, Educandos e outros”, explica.
A trajetória de Rayane Lacerda é o foco da entrevista que estreou nesta segunda-feira (21), no programa “Quem é você na fila do pão?”, apresentado pela personagem Filó, a Básica, interpretada pelo ator e diretor Paulo Queiroz. A atração é exibida no Instagram, Facebook e YouTube.
O programa de entrevistas integra o projeto cultural “Quem é você na fila do Pão? – Edição Norte-Sul/Leste-Oeste”, concebido por Paulo Queiroz. A iniciativa foi contemplada na Lei Aldir Blanc, no edital do Prêmio Manaus de Conexões Culturais 2020, categoria Teatro, da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) da Prefeitura de Manaus.

Apresentadora do programa “Literatura da Gente” nas redes sociais, a escritora Marcia Antonelli é a madrinha artística de Rayane Lacerda no programa comandado por Paulo Queiroz. Foto: Divulgação
No projeto “Quem é você na fila do pão? – Edição Norte-Sul/Leste-Oeste”, Rayane Lacerda tem como madrinha artística a escritora Márcia Antonelli, que apresenta o programa “Literatura da Gente” nas redes sociais. Marcia Antonelli nasceu em Manaus, é professora e escritora independente e já produziu diversos contos, crônicas, novelas e resenhas.
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